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The Railway Man

Só para duros. Para homens rijos com «eles» no sítio. Uma das capacidades mais difíceis na vida de um ser humano: perdoar e por conseguinte, viver em plenitude. Uma história que até custa a acreditar ser verídica.

… e aqui está ele, Eric Lomax.

 

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Je m’appelle Bernadette

Um filme que vi sozinho e sem dogmas ou preconceitos. Assistir apenas ao filme. Aproveitar um momento de cinema. Mais uma história verídica.

… e ei-la aqui: Bernadette Soubirous.

The walk

Mais uma história verídica.

… e aqui está ele, Philippe Petit!

A Missão

E agora… com um Papa que foi jesuíta, o Papa Francisco (da América Latina); Jeremy Irons novinho e à vontade nestas andanças das artes religiosas, depois representou o papa Bórgia; Robert de Niro arrependido das maldades! mas, tal como José Rodrigues dos Santos diz que o Tomás Noronha vai casar, isso… é o que menos importa neste momento de elevada qualidade cultural, quando a “nossa” realidade “nos” toca de um ponto de vista diacrónico.

Ainda hoje, passados 280 anos, ficamos a saber, pelo Facebook, que aos índios Guarani, não lhes é concedido o direito daquilo que é deles: a vida. Tal como diz claramente Ennio Morricone pelo “Oboé do Gabriel”, Na imaginação: “Nella fantasia io vedo un mondo giusto”.

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RASCUNHOS

O Reino do Meio – José Rodrigues dos Santos

“(…) Que raio de loção contra os insetos seria aquela? Haveria mesmo loções contra insetos tão bem cheirosas? E, pensando bem, porque usaria essa loção apenas às sextas-feiras?

Só havia insetos às sextas?” – página 116. Um bocadinho de humor fica sempre bem. Não precisava era de ser tão poupadinho.

“(…) Como diz o velho ditado, um pouco de fragrância permanece na mão de quem a lança” – página 390. ’tá giro.

Este extraordinário trabalho é notoriamente uma aula de informação politica, tal como se pode ler na Nota final, na página 691 “Fecha-se assim a Trilogia do Lótus, dedicada aos autoritarismos e aos totalitarismos da primeira metade do século xx. Pelas páginas de As Flores de Lótus, O Pavilhão Púrpura e O Reino do Meio desfilaram quatro histórias paralelas inspiradas em experiências verdadeiras que foram vividas por diferentes personagens. Algumas são baseadas em pessoais reais e outras são imaginadas, mas todas representam figuras cujo percurso nos permitiu  mergulhar na ascensão ao longo das décadas de 1920 e 1930 de alguns dos regimes autoritários e totalitários que marcaram o século das guerras mundiais, incluindo as complexas dinâmicas políticas, sociais e económicas que os conduziram ao poder”. Mas, só mesmo as aventuras das personagens, a parte do romance é que vai cativando a atenção. A expetativa é criada com base nos eventos que a mente vai questionando que poderão ser o desfecho das aventuras dos personagens, não a narrativa política, que se torna difícil de perceber quando é exposta numa explicação massiva de um dos personagens históricos, detentor da informação, a outro que por sua vez está ligado às aventuras do romance.

Ainda vou citar aqui mais uma… passagem: “(…) Mas o senhor coronel sabe muito bem que eles não respeitarão nenhum prazo porque não tem para onde ir. Um judeu que entre em Portugal sem visto para um outro destino é um judeu que fica para sempre em Portugal. É por isso que só podemos passar vistos quando temos a certeza de que a seguir eles sairão do país ou quando se trata de pessoas que se vão juntar a familiares já radicados em Portugal e que por eles se responsabilizam. Caso contrário arriscamo-nos a ser submergidos por um mar de gente e a não dispormos de meios para acolher condignamente essas pessoas. Para fazer caridade é preciso recursos, senhor coronel. Se mal temos meios de sustentar a nossa própria gente, onde iremos buscar recursos para prover a todos os desgraçados que nos pedem ajuda? É impossível!” – páginas 622-623.

O Pavilhão PúrpuraAs Flores de Lótus – A ilha das trevas – A filha do capitão – O Codex – A fórmula de Deus – O sétimo selo – A vida num sopro – Fúria Divina – O anjo branco – O último segredo – A mão do Diabo – O Homem de Constantinopla – Um milionário em Lisboa – A chave de salomão

Breve história de quase tudo – Bill Bryson

“Em primeiro lugar, para que o leitor esteja aqui agora, foi preciso que triliões de átomos errantes tenham conseguido juntar-se, numa dança intrincada e misteriosamente coordenada, de forma a criá-lo a si. Trata-se de uma combinação tão única e especializada que nunca foi feita antes, e só vai existir desta vez. Durante muitos anos futuros (esperemos), estas partículas minúsculas irão dedicar-se sem qualquer queixume aos biliões de hábeis e articulados esforços necessários para o manter intacto e deixá-lo desfrutar da experiência supremamente agradável, mas geralmente subestimada, a que chamamos existência.” – página 15

“Tão grandes são as distâncias que, na prática, se torna impossível representar o sistema solar à escala real. Mesmo que juntássemos muitas páginas desdobráveis aos livros escolares, ou usássemos uma longuíssima folha de papel para fazer os mapas, nunca chegaríamos nem perto. Num diagrama do sistema solar à escala, com a Terra reduzida ao tamanho de uma ervilha, Júpiter estaria a mias de 300 metros de distância, e Plutão estaria a 2,5 quilómetros (e teria o tamanho de uma bactéria, de forma que não o conseguíssemos ver). Na mesma escala, a Próxima de Centauro, a estrela mais próxima de nós, estaria a 16 mil quilómetros de distância. Mesmo que encolhêssemos tudo de forma a Júpiter ficar tão pequeno como o ponto final no fim desta frase, e Plutão não fosse maior do que uma molécula, Plutão estaria ainda a mais dez metros de distância.” – página 39

“Quando os céus estão limpos e a Lua não brilha muito, o reverendo Robert Evans, um homem sossegado e bem disposto, coloca um velho telescópio no terraço traseiro da sua casa nas Blue Mountains, na Austrália, e põe-se a fazer uma coisa extraordinária. Põe-se a perscrutar o passado, e encontra estrelas mortas.” – página 43  Robert Evans astronomer

“Mas o acontecimento-chave – o nascimento de uma nova era – deu-se me 1905, quando, numa revista alemã de física chamada Annalen der Physik, apareceu uma série de artigos escritos por um jovem burocrata suíço sem afiliações universitárias ou acesso a qualquer laboratório, e que, como fonte regular de consulta, se limitava a usar o registo nacional de patentes de Berna, onde trabalhava como fiscal técnico de 3ª classe. (O seu pedido de promoção a fiscal de 2ª classe fora recentemente indeferido).

Chamava-se Albert Einstein (…)”

“Por norma, os físicos não prestam lá muita atenção a descobertas feitas por empregados suíços de registos de  patentes, pelo que, apesar da abundância de informações úteis, os artigos de Einstein não atraíram grande interesse. Já que se limitara a resolver vários dos mais profundos mistérios do nosso universo, Einstein candidatou-se a um lugar de leitor na universidade mas foi rejeitado; a seguir tentou ser aceite como professor de liceu, no que teve a mesma sorte. Voltou, portanto, ao seu cargo de fiscal de 3º classe, mas é evidente que continuou a pensar. Estava muito longe de dar por encerradas as suas actividades.” – páginas 129 – 132