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100 Abrigo – Chico Gouveia

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No tempo da minha infância. Poeta Ismael Gaião

Afinal hoje é que é sexta feira 13

Picture0002Por esta e por outras como esta é que eu resolvi escrever no blogue “O diário do Zé Pedro”. É que de tão insólitas, disparatadas e ridículas eram, as coisas que me aconteciam, que chegavam a ser cómicas. Parecia humor puro e simples em vez de realidade. Entretanto acabou a competência e o profissionalismo e banalizou-se a vulgaridade. Hoje as coisas resolvem-se com um microfone na cabeça, culpando o computador, a internet ou “eles lá” pela falta de transparência que permite meter a mão ao bolso do otário. Eu otário me confesso: as mulheres tem razão, vale a pena estar atento aquela coisa da concorrência dos tarifários dos telemóveis. Sempre se poupa alguma coisita. Resolvi mudar de tarifário. Possível é mas… tanto tempo ao telefone, satura. Não, não quero mudar a internet. Não, nem a televisão. Não, nem a rede fixa cá de casa. É só o tarifário deste telemóvel. Não, nem a família toda. Não. Então não é consigo? Falo com a sua colega sim senhor!  O meu problema? Tenho medo de amanhã acordar com um torcicolo por estar à mais de meia hora ao telefone!

Reticências…

Vamos lá ver se eu percebi: não tenho contrato de fidelização convosco e não posso mudar de tarifário, não me posso desvincular de vocês, é isso? Sim. Não tenho contrato de fidelização, quero desvincular-me deste tarifário e não posso, é isso? Sim. Então não quero mais nada com vocês. Não pode. Não posso? Não.

Reticências outra vez…

No dia a seguir, que é hoje, fui a um balcão. Para poder falar com alguém, com gente, com uma pessoa que me explique, que me explique, não! Que me altere o tarifário. Cheguei ao balcão. Expliquei o que pretendia.  Sim senhor. Ligue para este número. Foi a resposta.

Reticências outra vez para não escrever asneiras. É que ela marcou o número e passou-me o telefone para a mão! Oh valha-me Deus! Por isso reticências…

Então o que é que a menina está aqui a fazer? Se quiser reclamar, pode reclamar.

Posto isto resolvi vir para casa gravar “baixos”. É quando gravo uma música com a máquina fotográfica, não ouço os “baixos” na gravação. Agora o computador não lê o chip da máquina fotográfica.

Estão a ver porque é que escrevi um blogue? Isto parece mentira!

Carecas e pneus

estrada_buda_eden - CópiaUm gajo bem que não quer, mas a realidade é mais do que aquilo que aparenta ser. Quando as coisas são bonitas, ainda vá que não vá, agora quando são marcas de desgaste… a coisa pia mais fino. Isto visto de frente, nem parece, até está a coisa ajeitadinha. Lá está, se tirarmos a peneira da frente do sol, o que constatamos é a tal realidade: estou careca. Tal e qual como os pneus do meu carro. Ainda vou tendo a esperança que não estejam tão gastos como aparentam estar; aquilo bem vistas as coisas se calhar ainda fazem mais mil quilómetros; com um bocado de sorte as brigadas de trânsito, caso me mandem parar, não vão dar por ela. Bem vistas as coisas, sou só eu que sei! Mas sendo honesto comigo mesmo, tenho que enfrentar a realidade: os pneus estão carecas. Os de trás! Com um bocado de sorte chego lá, peço para mudarem os da frente para trás e uns novos à frente. Com mais um bocadito de sorte eles lá nem reparam que o da frente do lado direito está a gastar por dentro por causa da direção já não alinhar mais do que aquilo… Se não, já sei como é que é: não pode comprar três porque não dá para calibrar, é melhor comprar os quatro e tal, aquela conversa de vendedor. Portanto antes que isto desgaste mais, vou comprar dois pneus. Fui. Os gajos deram por ela. Em vez de dois, comprei quatro. Comprei quatro mas paguei cinco. Estranho?! Paguei cinco pneus e vi de lá com quatro? Eu ainda pensei que o quinto pneu fosse para substituir o suplente, mas não! O quinto pneu que paguei, não é para mim, não é para o meu carro, é para os gajos do governo. Compro quatro, pago cinco, quatro para mim um para o governo. Portanto isto quer dizer que consulta para o dentista, tendo em conta que não consegui evitar a compra de tanto pneu, só para daqui a dois meses. Pode ser que tenha sorte e os dentes da frente não apodreçam mais do que o que já estão. E porque é que isto me acontece? Poderão perguntar. Isto não é coisa que aconteça a qualquer um! Episódios destes só acontecem a quem tem trabalho.

Falta-me um título sugestivo. Aceito propostas

diario de um professor desempregadoHoje tive que faltar. É coisa que não me agrada. Não me agrada mesmo nada, não faz parte. O meu cérebro não assimila bem “isso de faltar”. Mas pronto teve que ser, tive que ir ao médico. O meu ouvido esquerdo pifou. Desde domingo. Isto diagnosticado por mim. Na segunda-feira continuou pifado. É melhor ir ao médico. Embora renitente, qualquer pessoa desempregada compreender-me-á muito bem que isso de ir médico não é para quem precisa, é para quem pode. Os cinco euros da consulta são um entrave e… a inevitável receita é… uma surpresa!

Fui. Afinal já estou à rasca há três dias. Quando cheguei do curso fui cumprir a minha obrigação de voluntário na associação que acolhe os animais que vocês abandonam e depois, por volta das sete e meia fui ao médico. A senhora do balcão olhou para o relógio de parede e, mesmo antes das “boas tardes” eu disse que ainda não eram oito horas. Não fiquei sem resposta: – Pois… mas a esta hora o doutor já não o atende. Ficou marcado para amanhã, que é hoje. Não percebo, sinceramente não compreendo porque é que o médico é pago até às oito horas, visto que deixa de trabalhar muito mais cedo, porquê pagar-lhe? Não deve ser para eu perceber. Ora e se o médico, deixar de atender quem precisa… a senhora do atendimento não está lá a fazer nada. Sobra apenas o segurança…

Epá um gajo tem que ser honesto com o médico, não é? Se não, ele não adivinha o que é que se passa. Então resolvi contar-lhe a verdade: já desde o verão passado que tenho um problema no ouvido esquerdo, e pronto, não lhe contei mais nada além dos sintomas. Eu falo muito mal espanhol, nem sei dizer as asneiras como deve ser, mas o médico, embora colombiano soube explicar que o computador tem um problema qualquer, ele acha que não sabe o que é que se passa com o computador mas que aquilo funciona mal, é uma verdade. Curioso, já a médica anterior, se queixava do mesmo, embora tenha admitido que o problema pode estar no facto de ela não perceber nada de computadores. Mas essa eu compreendi melhor visto que o meu crioulo é melhor que o espanhol. Embora de continentes diferentes, uma africana, outro sul americano, uma coisa têm em comum, uma não! Duas: eu não tenho nada e o computador está avariado. Deve ser o tal de conflito de gerações: a médica do verão, era tão novinha que quase a tratei por menina doutora, era para aí uma mistura de americana com indiana, tinha nome americano e aspeto indiano, não reclamou do computador e receitou-me um medicamento que quando acabou, o ouvido estava efetivamente um pouquinho melhor, embora eu tenha passado pela farmácia e o farmacêutico vendeu-me mais uma caixita, desta feita de genéricos, para ver se a coisa melhorava. Curiosamente o problema do computador da farmácia foi muito fácil de resolver: a imagem no monitor com os números de chamada dos clientes estava invertida e para resolver isso, basta carregar num par de botões. Comentei com o farmacêutico, sempre é melhor do que com o facebook, que provavelmente algo estará mal, tanto é que eu estou à rasca. Ele concorda comigo e acha que deve ser algo muito antigo, porque o medicamento que fui comprar… não havia em stock. A última unidade vendida datava de há dois anos e dois meses. Compreendo que não tenham tal coisa armazenada. A médica anterior tinha-me receitado uma coisa para lavar o ouvido. Eu já tirei uma pós-graduação em TIC, uma especialização em TCM, atualmente estou a faltar a um curso de programação em ambiente web portanto, mais coisa menos coisa, estou apto a exercer medicina.

Estou mesmo farto de estar desempregado… já me decidi: quando voltar a trabalhar, vou a um médico particular! Então, não precisei de arregaçar as mangas, porque apesar de estar de chuva, estamos no verão e respondi a mais uma oferta de trabalho. Tive que esperar pelo início do novo mês, porque na biblioteca municipal o número de fotocópias é limitado por cada utente mensalmente, escusado será dizer que ter impressora tenho, tinteiro… isso é que já é outra conversa. Mesmo assim excedi o limite e lá enviei por correio todas as catorze páginas necessárias para concorrer à tal oferta. 4,70€ foi quanto paguei nos correios por uma carta registada com aviso de receção – era pré requisito, teve de ser. Isto de concorrer aos trabalhos que gosto… não é barato. Agora só para o próximo mês.

Liguei a televisão, só para relaxar um bocadinho. O programa do canal do Estado estava a ser transmitido em direto aqui da terriola ao lado. Fiquei curioso para ver se via alguém conhecido. Gravei. Tinha que mostrar à minha quase-esposa. Eu não reconheci ninguém, ela reconheceu um monte de gente. Todas as reformadas que mandaram beijinhos para a… e agora começa a lista: América; França; Alemanha; Luxemburgo; Austrália (imagine-se Austrália!) e por aí fora, por esse mundo fora; alguns dos desempregados presentes e até uma das apresentadoras ela reconheceu. Mas… fiquei… ah como é que hei de dizer… surpreendido, para não dizer preocupado, é que ela reconheceu uma das apresentadoras do programa, da Internet, de ter visto a tal apresentadora a disponibilizar o sistema de saneamento básico, como centro de prazer para alguém que ela não via, pois estava de costas. Aaah… Se calhar tenho que deixar de estudar de dia e de noite, pelo menos de noite. É o país que temos. A televisão retrata bem isso: reformados, desempregados e os que trabalham estão lá fora.

01-07-2014

Diário de um professor desempregado

diário de um professor desempregadoNunca tinha feito um prefácio de coisa nenhuma que tenha escrito. Desta vez também não vai ser diferente, vou roubar algumas palavras que ouvi por aí: realidade ou ficção, ficção ou realidade, se dissermos a realidade a malta pensa que se trata de ficção, se ficcionarmos a coisa, a malta acredita que é verdade, sem questionar.

“(…) Não se nota a diferença entre este dia e os outros. Trabalhar, muito calor, almoçar debaixo de uma árvore no meio da terra, trabalhar, muito calor, chegar a casa ligar o computador, duche e ver os sites do Ministério da Educação, consultar os blogues da especialidade, espreitar o Facebook dos amigos professores sempre com a esperança vã de… uma notícia qualquer que me favoreça.

(…) Convém relembrar que o homem se organizou social e voluntariamente. Aquele que diz que vive bem sozinho é o primeiro a acusar-se de ignorância, pois ao dizê-lo, di-lo a alguém.

(…) Fui colocado pelo 550 e não tinha visto. Antes assim. É uma substituição temporária. É só um mês. Mas pronto. É uma colocação.

(…) Os quatro pacotes das pontas tinham muitos buraquinhos, com o diâmetro idêntico ao que eles fazem nas minhas calças. Quatro litros de leite divididos por dois gatos bebés e talvez meio ainda espalhado pelo chão…

(…) Um gajo que está à espera do desemprego não pode desperdiçar oportunidade de concorrer a um trabalho! O problema é que não tenho dinheiro para isso. Tão simples.”

https://nunoanjospereira.wordpress.com/diario-de-um-professor-desempregado/

Um dia à Zé Pedro

diario de um professor desempregadoConfesso que o dia de hoje, nem nos melhores momentos de inspiração, me lembraria de tal coisa para o desgraçado do Zé Pedro. Então cá vai: domingo, algum stress ou cansaço psicológico, ou lá o que seja o fruto de todos os dias de trabalho e dos efeitos da crise, diga-se de passagem que isto cansa, a vida é difícil e um momento de pausa, além de saudável, recomenda-se. A Carla está de folga e o domingo, por mais incrível que possa parecer, em pleno Inverno está um lindo dia de sol! Ora o que é que uma coisa destas pede? Um passeio na praia depois de almoçar fora, claro! Se bem o pensamos, melhor o fizemos. Combinamos comprar um frango assado no Modelo em Peniche e rumar à ilha do Baleal para fazer um piquenique dentro do carro e aproveitar o quentinho do sol, virados para o mar. Após piquenique, para aproveitar o sol, o mar e a viagem, levamos cada um o seu livro e a intenção era ficar a ler. Já vou dizendo era porque chegados a Peniche, o caso começou a mudar de figura, aquilo estava um pouco estranho… dumpers da câmara, gente com coletes, tudo muito desarrumado… gente a ver o mar, muita gente! E ali em frente ao Intermarché estava a barraca armada, “armada” não será a palavra mais adequada, talvez “desarrumada”, pois notava-se que o mar tinha andando por ali a noite passada. Pois é, dali até ao Modelo, transitando à beira-mar, fomos vendo que parar junto à costa seria algo muito irresponsável. O mar parecia saído de um filme de náufragos, só que a sério! Um espectáculo lindo. Já na caixa do Modelo ficamos a saber que a noite passada tinha sido de marés vivas. Achámos estranho não haver mais ninguém na fila para pagar, é que nem sequer havia fila, éramos só nós. Estranho, não havia clientes… A menina da caixa elucidou-nos, ela é bombeira, estava cansadíssima porque passou a noite de serviço. Ocorrência após ocorrência, foi uma noite em que tudo aconteceu, até um capotanço. O mar chegou a todos os lados e mais alguns. As marés vivas que nós estávamos a assistir, ou melhor as espetaculares marés vivas que nós estávamos a assistir eram apenas um resquício da noite. Isto foi na caixa, vamos aos momentos iniciais, retrocedendo: quando chegamos fui à casa de banho e pedi à Carla para ir indo para a fila do frango assado, pois é normal, nas vezes anteriores que por lá passamos, haver fila para o frango. Quando lá cheguei, só lá estava a Carla, do lado de fora do balcão, e digo do lado de fora porque do lado de dentro estavam todas as funcionárias e o segurança. Então e o frango? Perguntei. Não havia frango, aquela coisa pegou fogo. A maquineta de assar frangos pegou fogo. Não, não chega! Não era seguro ir para a ilha do Baleal. O mar escondeu toda a areia das praias e a passagem estava submersa. A máquina de assar frangos pegar fogo mesmo antes de nós comprarmos o nosso… uma dessas eu acho que não me lembraria nunca!