Sistema Nacional (de sonegar a) Saúde – SNS

A corrupção que grassa no conluio da saúde em Portugal, dava um livro. Mas um daqueles livros que iriam vender imenso quando for noticiado que o autor se suicidou, depois de ter sido internado à força num hospital para malucos, devido ao seu estado mental e que meteu fim à vida com uns comprimidos para os ratos e coca-cola, ou seja nunca. Um livro destes nunca seria um seller, quanto mais um best. Não é que a verdade magoe, porque não magoa devido ao fato de se ocultar sobretudo e especialmente quando exemplifica como é que os ricos metem a mão no bolso dos pobre e os roubam descaradamente, ou seja sempre. Dando a entender que o desgraçado, por necessidade, ainda lhe fica a dever. A malta prefere ficar na ignorância. Portanto o melhor é eu não escrever nada disso. O meu médico de família continua sem ter tempo, nem disponibilidade para mim, apesar do horário afixado no posto médico dizer o contrário; o médico do centro de saúde deixou bem claro que eu é que fui lá pedir-lhe ajuda; e, este último, privado, prescreveu-me uma caixa de quarenta comprimidos para dores que não tive. Pudera! Apanhei de cá um susto: quarenta comprimidos?! Isto vai doer bué! Tomei um para descargo de consciência, bom, é à português se tivesse tomado os comprimidos todos e continuasse com dores, teria sido pior… antes assim. E bem vistas as coisas, é melhor não escrever nada, não cutucar o vespeiro. … de qualquer das formas, o Zé Pedro já passou por umas coisitas.

Lição a reter do dia de ontem por ter escrito o que se iria passar durante o dia junto a uma mulher: nunca fazer uma coisa dessas!

Terça-feira, 8 de Setembro

Aguardávamos nós pela vez da Sofia na cabeleireira, quando uma amiga comum, depois de atendida, ficou algum tempo connosco na conversa. Como a coisa estava a ficar demasiado íntima, saímos para a rua. O seu grau académico é muito forte, socialmente é bastante influente e a nível financeiro, embora nunca lhe tenhamos contado o dinheiro, é, como diriam os ingleses:  saudável. Numa cirurgia quase de rotina, eu não sei muito bem o que é que possa ser isso de quase de rotina, existe sempre um risco, algo pode correr mal. Foi o que lhe aconteceu. Queixava-se e queixava-se mas, enquanto não surgiu uma segunda opinião, a coisa não foi resolvida. Optou por não processar o primeiro cirurgião, tendo-lhe dado uma margem de erro… admissível. Os custos da segunda intervenção e respectivo tempo de internamento serão ou foram, não percebi muito bem, pagos pelos intervenientes da primeira. Fizemos bem em conversar na rua porque não são assuntos que se conversem num salão de cabeleireira – mas num blogue já pode! -. Depois do cabelo arranjado, ficou lindo! – convém sempre, não só dizer, como também escrever, estes e outros ainda mais lindos, galanteios  – De novo na rua encontramos outra amiga comum. Conversa puxa conversa e esta, no recobro da operação que fez, apanhou no hospital uma bactéria qualquer que está a dar cabo dela. Saiu-lhe pior a emenda que o soneto. Já foi a dois médicos privados, ainda não tem o problema resolvido, está cada vez pior e… o dinheiro já acabou. Resta-lhe aguentar as dores e esperar um milagre. Falar destes assuntos já não é novidade. Já não é notícia. Neste país é mais notícia que o posto de trabalho parcial da minha mãe tenha sido extinto, o que me deixou sobejamente preocupado e à minha irmã também. Na realidade entrei em pânico quando ela optou por tirar umas férias. A verdade é que ainda arranjou emprego primeiro do que eu. Cinco propostas mais exactamente.

Diário de opinião. Este é o nome que sugiro para este diário. Afinal sempre é a minha opinião acerca da realidade que aqui é espelhada. Há tantas coisas que me apetece comentar, coisas há que parecem mentira, não obstante será sempre a forma como eu as vejo que importa. O difícil é escrever aquilo que vejo de maneira a que seja fidedigno com a interpretação que faço. Nem sempre sou capaz. Nem sempre… não será bem assim, nunca! É mais adequado. Por exemplo, é sempre o mais fácil nisto de explicar o exemplo, o Centro de Saúde na Sexta-feira, 11 de Setembro, exibia um cartaz, não chamaria a um papel branco de tamanho A4 fitacolado na horizontal com duas linhas escritas, um cartaz, mas esta é uma das dificuldades de escrever acerca “das coisas”; que tinha escrito, não me lembro da frase de cor, que por motivos médicos, isso tinha de certeza “por motivos médicos” o Centro de Saúde hoje não faria atendimento complementar. Ora bem, toda a gente sabe que esse é um dos argumentos para fazer alguém mudar de residência: a proximidade de bens e serviços, e então quem tem filhos não procura só a escola, um centro de saúde é bem-vindo. Tal como para quem tem sogros, ou idosos a seu cuidado saberá do que é que estou a escrever, porque como digo é muito difícil fazer passar a mensagem de falta que faz um atendimento nocturno num Centro de Saúde. Imaginemos um ataque de asma grave. Para quem não tem asma, que é o meu caso, é difícil de imaginar, mas para quem estiver a tentar respirar, que é uma coisa tão simples e básica e não consegue sequer falar para pedir ajuda, pois está-lhe a faltar o ar, está quase a ter um ataque de pânico, como é que se faz? Tenta-se por a vítima em PLS? Para quê? Quem é que consegue que alguém que esteja a ter um ataque de falta de ar fique em Posição Lateral de Segurança para evitar entrar em estado de choque? Pergunto para quê outra vez? Quem ajuda não é Deus! O desejável numa situação destas, embora aqui seja fantasiada a situação pode não andar muito longe da realidade, que é o que se vem passando nos diários de muita e boa gente, serão os serviços médicos que estão encerrados por “impedimento médico” estarem a funcionar. Isso seria o desejável. A mim pouco importa a avaliação de desempenho dos médicos ou dos diretores dos Centros de Saúde, pouco importa onde vão fazer o quê com as férias pagas pela malta das farmacêuticas, mas na minha opinião, o diretor do Centro de Saúde não tem que se justificar aos utentes se fechou as portas por falta de médico. Isso não interessa, nem tão pouco importa. Tem é que fornecer um serviço e mais nada. Numa noite como a de hoje, mais um exemplo, Sábado 12 para Domingo 13, são agora dez para a uma, chove. Chove intensamente. Carros na estrada, poucos. Risco de acidente muito elevado não só pelo facto de esta chuvinha levantar o óleo que pingou dos carros, a borracha que ficou dos pneus, mas também pelo mosto das uvas que já vai caindo dos tractores carregados com a uva das vindimas e o Centro de Saúde está fechado por “motivo médicos”? O que é que aconteceu desta vez? Deixaram fugir outro vírus? Embora hoje não tenha passado por lá, não vi mas sei que não será a primeira vez que o director do Centro de Saúde avisa o Sr. Comandante dos Bombeiros, que esta noite não haverá atendimento para ninguém. Agora reparem como para mim é difícil descrever esta realidade quando tudo se passou num calmo e relaxante passeio pedestre com a minha namorada, na noite rural e calma que desceu sob o sopé da Serra de Montejunto. No meio de pomares e vinhas, um local que parece paradisíaco, mas que tal como o paraíso, tem os seus riscos. Vêem? Cá está a dificuldade literária, neste caso é uma mera dificuldade narrativa, eu consegui num simples diário demonstrar como é que se dá cabo de um romântico passeio apenas no campo das hipóteses. No Sábado? No Sábado pensei como é bom ter emprego. A vida parece que fica mais calma. Como se tudo andasse mais devagar. Um gajo já pode começar a fazer conta com o ovo no cu da galinha. A entrada mensal de receita torna-se permanente e o abandono das latas de atum e salsichas em troca de uma ida ao talho em busca de carne fresca, periga no horizonte. Depois, esta da cereja em cima do bolo é deliciosa, eis que chega a cereja para colocar no topo do monte de chantilly, branco, foco, daquele que diz “tira daí o dedo” e é quase uma da manhã e aqui estou eu feito parvo, ou melhor feito burro, com uma mulher na cama, agarrado a esta moda de escrever no blogue. Imaginemos ainda que o trabalho é noturno. Então e se tal como no Serviço Nacional de Saúde, o trabalhador nocturno decidir avisar com um cartaz que “Esta noite não pago impostos”; na segunda linha mais uma frase “Estou aqui no serviço, a trabalhar, mas não pago impostos”.

No domingo passado estava a agendar a minha semana quando a Sofia me perguntou “Então e onde é que me encaixas no teu dia?” deixou-me surpreso com a pergunta, mas nada parecido com a surpresa que ela me fez a seguir. Meio a brincar meio a ver se a piada passava, com um certo receio lá lhe respondi que “És aquela que faz a sopa do jantar.” Escangalhou-se a rir questionando-me se eu não conseguiria ser mais original porque dessa resposta, ela já estava à espera… fiquei desarmado. Finalmente na Quarta-feira passada abriu-se-me uma janela de oportunidade: nada para fazer! Nada para fazer a nível profissional, bem entendido. Almocei na escola e na viagem de volta resolvi não ir nadar ao final do dia e convidar a minha quase-esposa para jantar. Telefonei-lhe, não atendeu. Liguei para o trabalho, não estava. Liguei para o telefone de serviço, nada. Fui esperando, viajando e tentando telefonar. Sem sucesso na parte dos telefonemas. Assim que cheguei fui a voar para o posto médico. Tenho que aproveitar a oportunidade para marcar uma consulta. No Centro de Saúde onde sou utente, que não é mesmo do local de residência, visto não haver vaga, fui atendido pela senhora da recepção. Explicou-me muito bem explicadinho que o senhor doutor só dá consultas de manhã. Tornou a explicar que o senhor doutor chega por volta das onze da manhã e atende até ao meio-dia e meio mais ou menos. Eu olhei para ele e disse à senhora da recepção “Eu estou a vê-lo ali” ao que a senhora da recepção me respondeu “Mas não pode!”. Estava presente eu, a senhora da recepção, ao lado a senhora da limpeza, o meu médico de família (nem sei porque é que se chama assim?) e deveria estar a senhora enfermeira, explicarei mais adiante. A senhora da receção explicou-me que o senhor doutor estava ali com muita pressa e só iria atender um planeamento familiar. Eu por acaso, mas só mesmo por acaso, vi o médico chegar, estacionamos em simultâneo. Apercebi-me que não demoveria a senhora da recepção, que é sempre o primeiro obstáculo a superar quando se pretende ir ao médico. Então expus os meus motivos. Expliquei-lhe que a minha tensão arterial anda a bater recordes e eu estou preocupado com isso. A resposta veio na ponta da língua “Se quiser vá ao Centro de Saúde da sua residência, que o senhor doutor estará lá na próxima sexta-feira de manhã e pode atendê-lo.” Parei para pensar, respirei fundo e disse que ali é que era o local para ser consultado por aquele senhor que anda ali de um lado para o outro e não num serviço de urgências. Não lhe disse mas pensei que ela me está a enviar para o tal onde eu estive no Sábado passado e que não tinha médico de serviço.  “Então se quiser venha cá quando a senhora enfermeira estiver disponível, que ela está quase sempre, e ela atende-o, diz-lhe o que fazer.” Eu sinceramente nem soube o que responder. Fiquei-me. “Minha senhora a minha tensão arterial anda anormalmente alta, eu trabalho em escolas de alto risco, ando sempre stressado…” interrompeu-me para me explicar que eu deveria fazer dieta! “É assim que isso se resolve” afirmava “Passe por cá que a senhora enfermeira explica-lhe… deve evitar o sal…” e interrompi-a eu: ” Quero marcar uma consulta, se faz favor.” “Só para o ano.” De volta ao carro rumei às Finanças. Já estou colectado, já me podem pagar as aulas extras. Fixe. Agora é só ligar à Sofia. Ligar, liguei, ela atender, não atendeu. Optei por ir nadar. Estava lá descansadinho a tentar não beber água a treinar “costas clássico” eis senão quando, dois marmanjos invadem a minha pista assim sem mais nem menos, como se eu não estivesse ali. Levei um encontrão e uma pesada, parei de nadar, pus-me de pé e perguntei alto e em bom som: “Ó fulano tal (que é para proteger a identidade do professor de natação) a pista três está livre?” eu bem que via que não se encontrava lá ninguém. Ele respondeu afirmativamente com os dois mariconsos a olhar, e eu mudei de pista. Ainda cheguei a casa primeiro que a Sofia. Esteve de roda dos últimos retoques de mais um evento que vão organizar.

Era suposto eu ter atualizado o cartão! A ignorância paga-se cara. Ao recorrer aos serviços médicos no centro de saúde, tive de apresentar o cartão de utente, aquele azul, a senhora pediu-me o de beneficiário da ADSE, não estava atualizado, só poderia, por estar previsto, usar uma vez a regra de exceção. Tinha que atualizar o cartão.

O Centro de Saúde ao pé da minha casa é uma coisa, o meu médico de família, onde estou inscrito, é outra. Fica situado numa aldeia vizinha quase a dez quilómetros daqui, estou lá inscrito porque só lá é que havia vaga.

Chegada a data sugerida para entrega dos exames e como preciso que sejam vistos pelo mesmo médico que me fez o favor de me analisar e me sugerir que fizesse exames médicos para que ele pudesse observar, como ele próprio me explicou, fui eu que fui lá pedir ajuda, ele não me mandou lá ir, então tenho que ir atualizar o cartão. Consegui uma espécie de um milagre e, às 15:14, quase às três e um quarto da tarde, cheguei ao posto médico onde estou inscrito. Fui de carro para a escola, embora com o passe pago, mas teve de ser, assim infringindo uns quantos limites de velocidade e mais um par de regras, consegui chegar em tempo útil. Pensava eu. Chegado ao posto médico exclamei para mim mesmo “Estou com sorte! Só cá está um Mercedes parado, fixe! Isto vai ser rápido!”. A senhora da limpeza estava ao balcão e explicou-me que a funcionária que faz essas coisas da atualização do cartão, sai às três da tarde. Agradeci e vi-me embora. Sentei-me no carro, parei para me acalmar e pensei que depois de uma destas, não vou arriscar fazer mais setenta quilómetros, trinta e cinco para cada lado, para ir buscar uns exames que podem não estar prontos, o melhor será telefonar para lá. Assim o fiz. Um atendimento espectacular, personalizado, nada de prima o botão tal. Fiquei à espera um pouquinho… até que a senhora me pediu desculpa por não conseguir contactar com a colega lá não sei do quê, até deixei de ouvir mas percebi que me ligava daí a cinco minutos. Quando comecei a ficar passado… eis que toca o telefone: “Desculpe lá não ter respondido à pouco…” – uma conversa e uma simpatia que até me fez sentir uma pessoa importante, extraordinário! Os exames já estavam todos prontos e podia levantá-los até às oito da noite. Até às oito da noite?! Estranhei. “Sim, caso venha mais tarde, dirija-se ao serviço de urgência, que os meus colegas vêm cá a este lado buscá-los.”.

Já me aconteceu muita coisa na vida, como será normal a toda a gente que comece a coleccionar anos de idade, mas uma destas… nunca uma mulher me tinha dito o que esta disse. Começou por me mandar despir e acabou por não me deixar tomar banho. E não me deixar tomar banho até amanhã!

Em vez de ouvir a voz do povo e aceitar tudo o que é sugestão e palpite, adivinhas e certezas absolutas, resolvi ir ao médico. Como o médico não falava, falei eu. E falei, falei. – Quando foi a última vez que fez exames médicos? – perguntou directamente. – Quem eu?! Nunca.

Saí de lá com umas poucas de páginas para ver a pressão do óleo, o conta-rotações, etc. e tal e siga a lista. A sugestão do médico foi para que fizesse os exames na clínica “X” pois são comparticipados pela ADSE e assim não pago. Questionei sobre a clínica “Y” mas disse-me que nessa eu teria de pagar, pois não tem acordo com a ADSE. Eu não percebo assim muito destas coisas, quer dizer, a verdade é que não percebo absolutamente nada. Então se o médico me manda fazer exames, também todos os médicos devem mandar as outras pessoas fazer exames, os reformados devem ter um dia específico no calendário para tal missão, e curiosamente sendo uma coisa que tem de ser feita, que eu conheça, não existe um serviço do Estado que tenha essa função: a de fazer exames. Pelo que pude constatar, quem não tiver dinheiro para fazer os exames, não é preciso pensar muito, quem ganhar o ordenado mínimo e pagar renda de casa não tem dinheiro para estar doente, então fará os exames pela caixa ou segurança social, que deve ser a mesma coisa. Seja lá quem for que precise de fazer os exames, recorrerá sempre ao setor privado, as clínicas, para a realização dos mesmos, e independentemente do sistema de saúde é sempre o Estado a pagar, ou seja o Estado não disponibiliza um serviço compactuando com os particulares pagando-lhes uma enormidade de dinheiro que lhes permite ter as condições todas e mais alguns Mercedes em troca de um serviço imprescindível. Pareceu-me que é assim!

Curioso também é o facto de depois da papelada preenchida e os dias agendados, é que fico a saber que apenas alguns e não todos os exames, é que são comparticipados. Acaba sempre por ficar lá uma pipa de massa. Os médicos que fazem serviço no setor privado ganham por tarde, alguns deles, tanto quanto a malta do atendimento ganha por mês; as clínicas privadas também tem vindo a aumentar, e isso, eu garanto que não é sinal de crise. Se nasce mais uma clínica privada, e aquilo custa uma pipa de massa, é porque há dinheiro, quer para fazer o investimento, como para ter lucro. O objectivo de uma empresa é o lucro, seja ela qual for. A fonte de rendimento… é o Estado porque compatua com o facto de aquele tipo de empresas ser uma mina de ouro à custa do dinheiro dos impostos.

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