Category Archives: Minutos vagos 2

Segui a sugestão de um amigo

Está na hora. É assim a meio da manhã. “É uma hora que ninguém desconfia”, costumava dizer um amigo meu, lá da terra onde desbravamos a juventude, a “terra da passa”. Ena, que bons tempos! Acho que tiramos um curso de antropossociologia noturna. Não obstante, a verdade é que aqui estou eu, sozinho na solidão do meu quarto, os tempos da juventude já lá vão e agora há que ser um homenzinho e enfrentar o touro pelos cornos! É só esticar a mão até à mesinha de cabeceira e agarrar a seringa. Isto custa. Venha lá o mais pintado dizer o contrário, quem mora no convento é que sabe o que vai lá dentro mas, o que tem de ser tem muita força, mai’ nada! isto custa! porra…

O êmbolo da seringa e aquela coisa lá dentro ainda vá que não vá, a bisnaga fica ali presa entre o indicador e o médio direito e o polegar e é só empurrar para dentro, a chatice é a agulha! Finhinha, afiada, fria, metálica, com a gotita na ponta e depois começa ali a querer encostar à pele… arrepia. E é preciso escolher o sitio, questionar qual o melhor “local”? o meu corpo agora até tem “locais”, lembro-me perfeitamente da primeira voz que me disse “aqui é uma zona proibida”, já não sei, já não me importa se é pelo outros verem, se é para não estragar mais “locais” no meu corpo, o que é tenho de fazer, mas tenho mesmo, é imperativo, não pode ser de outra maneira, é não acertar naquela zona roxa, da cor de uma ameixa madura. Da cor daquelas ameixas que, na aldeia onde fui cachopo a gente ia roubar lá ó Ti’Mário e fugir a sete pés. Esta já tem bicho, tem um furinho lá no meio. É melhor pensar assim. Olhar para estas nódoas negras furadas, esburacadas, deixar a imaginação levar-me para outro lado qualquer, para os tempos de vida mais simples.

Eu não complico as coisas, apenas estou a seguir a sugestão de um amigo, dos de agora, dos deste tempo, dos quarentas, já homem maduro, aliás é jornalista, sabe muito bem o que faz, se assim não fosse, não ocuparia o lugar que tem. A minha mente não aceita que lhe pregue partidas, medos. Não fica para aqui a imaginar que atravesso a mata do Fontelo sozinho, de noite escura, nos tempos de estudante universitário, a tresmalhar as folhas de outono, sentido que sou perseguido por um arfar ofegante de um rottweiler e eu fico ali a andar depressa e a transpirar frio, não. Eu não sou assim. Nem fico aqui a pensar “na carga pronta metida nos contentores” dos Xutos e Pontapés, não, nada disso. Eu sou diferente, já aprendi muita coisa na internet, sou mais como aqueles emails dos índios americanos com dois lobos, um do lado do bem, outro do lado do mal, os dois a atazanarem-me a paciência, fingindo que posso adiar a decisão ou a tentar racionalizar sobre uma coisa que não vale a pena, isto custa. Mas tem que ser. São só uns dias, é pouco, depois paro. Custa a primeira picada, nem se dá por ela do líquido a entrar, quer dizer… sendo honesto comigo é claro que sim, nota-se um bocadinho, depois é só esperar e pronto. Isto há de passar.

Então cá estou, quase que a rir, a esgaçar acho que é a expressão mais adequada, sim, a esgaçar um sorriso por ter seguido a sugestão de um amigo. Sugestão simples. Vou descobrir o que é que esta porra tem lá dentro da seringa: solução injetável para administrar nos doze dias subsequentes a uma intervenção cirúrgica. Sugestão tão simples: agora que tens tempo, escreve sobre isso. Bom, e já que não consigo ir roubar ameixas de moletas, nem aprendi a fazer “passas fritas” com a minha mãe… fico aqui sentado a escrever. E a pensar no valente susto que o rottweiler da minha vizinha me pregou, afinal só queria brincadeira.

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Afinal hoje é que é sexta feira 13

Picture0002Por esta e por outras como esta é que eu resolvi escrever no blogue “O diário do Zé Pedro”. É que de tão insólitas, disparatadas e ridículas eram, as coisas que me aconteciam, que chegavam a ser cómicas. Parecia humor puro e simples em vez de realidade. Entretanto acabou a competência e o profissionalismo e banalizou-se a vulgaridade. Hoje as coisas resolvem-se com um microfone na cabeça, culpando o computador, a internet ou “eles lá” pela falta de transparência que permite meter a mão ao bolso do otário. Eu otário me confesso: as mulheres tem razão, vale a pena estar atento aquela coisa da concorrência dos tarifários dos telemóveis. Sempre se poupa alguma coisita. Resolvi mudar de tarifário. Possível é mas… tanto tempo ao telefone, satura. Não, não quero mudar a internet. Não, nem a televisão. Não, nem a rede fixa cá de casa. É só o tarifário deste telemóvel. Não, nem a família toda. Não. Então não é consigo? Falo com a sua colega sim senhor!  O meu problema? Tenho medo de amanhã acordar com um torcicolo por estar à mais de meia hora ao telefone!

Reticências…

Vamos lá ver se eu percebi: não tenho contrato de fidelização convosco e não posso mudar de tarifário, não me posso desvincular de vocês, é isso? Sim. Não tenho contrato de fidelização, quero desvincular-me deste tarifário e não posso, é isso? Sim. Então não quero mais nada com vocês. Não pode. Não posso? Não.

Reticências outra vez…

No dia a seguir, que é hoje, fui a um balcão. Para poder falar com alguém, com gente, com uma pessoa que me explique, que me explique, não! Que me altere o tarifário. Cheguei ao balcão. Expliquei o que pretendia.  Sim senhor. Ligue para este número. Foi a resposta.

Reticências outra vez para não escrever asneiras. É que ela marcou o número e passou-me o telefone para a mão! Oh valha-me Deus! Por isso reticências…

Então o que é que a menina está aqui a fazer? Se quiser reclamar, pode reclamar.

Posto isto resolvi vir para casa gravar “baixos”. É quando gravo uma música com a máquina fotográfica, não ouço os “baixos” na gravação. Agora o computador não lê o chip da máquina fotográfica.

Estão a ver porque é que escrevi um blogue? Isto parece mentira!

Carecas e pneus

estrada_buda_eden - CópiaUm gajo bem que não quer, mas a realidade é mais do que aquilo que aparenta ser. Quando as coisas são bonitas, ainda vá que não vá, agora quando são marcas de desgaste… a coisa pia mais fino. Isto visto de frente, nem parece, até está a coisa ajeitadinha. Lá está, se tirarmos a peneira da frente do sol, o que constatamos é a tal realidade: estou careca. Tal e qual como os pneus do meu carro. Ainda vou tendo a esperança que não estejam tão gastos como aparentam estar; aquilo bem vistas as coisas se calhar ainda fazem mais mil quilómetros; com um bocado de sorte as brigadas de trânsito, caso me mandem parar, não vão dar por ela. Bem vistas as coisas, sou só eu que sei! Mas sendo honesto comigo mesmo, tenho que enfrentar a realidade: os pneus estão carecas. Os de trás! Com um bocado de sorte chego lá, peço para mudarem os da frente para trás e uns novos à frente. Com mais um bocadito de sorte eles lá nem reparam que o da frente do lado direito está a gastar por dentro por causa da direção já não alinhar mais do que aquilo… Se não, já sei como é que é: não pode comprar três porque não dá para calibrar, é melhor comprar os quatro e tal, aquela conversa de vendedor. Portanto antes que isto desgaste mais, vou comprar dois pneus. Fui. Os gajos deram por ela. Em vez de dois, comprei quatro. Comprei quatro mas paguei cinco. Estranho?! Paguei cinco pneus e vi de lá com quatro? Eu ainda pensei que o quinto pneu fosse para substituir o suplente, mas não! O quinto pneu que paguei, não é para mim, não é para o meu carro, é para os gajos do governo. Compro quatro, pago cinco, quatro para mim um para o governo. Portanto isto quer dizer que consulta para o dentista, tendo em conta que não consegui evitar a compra de tanto pneu, só para daqui a dois meses. Pode ser que tenha sorte e os dentes da frente não apodreçam mais do que o que já estão. E porque é que isto me acontece? Poderão perguntar. Isto não é coisa que aconteça a qualquer um! Episódios destes só acontecem a quem tem trabalho.