Casas para venda

A casa vista pelo vendedor

7€.

Menos 7 euros.

Sete euros a menos do que o valor que pago de renda por uma prestação de uma casa. É tentador. Em vez de pagar renda, pagar casa própria parece que vale a pena porque, assim como assim, a renda tem que ser paga, portanto resolvi pensar nisso a sério. Tudo começou num sábado de manhã quando ia a sair de casa e vejo um vendedor de casas a colocar no pára-brisas da minha viatura um panfleto. Achei bem, mais velho do que eu a ainda a por papelinhos nos vidros dos carros, assim é que é! A sorte não se espera em casa. Como tenho treinado a lidar com vendedores quase todos os dias ao telefone, pensei que já estava em condições de passar da teoria à prática. Resolvi chamar o homem. Todo sorridente e muito bem vestido, com um ar simpático, conseguiu-me surpreender com as respostas que não dava. Quer dizer, dar dava, dizer é que não dizia, acenava com a cabeça de forma afirmativa, sorria e abria as mãos esticando os braços com as palmas viradas para mim (como o padre faz ao rezar o Pai-nosso na missa) e levantava as sobrancelhas numa dança de movimentos que conjugados com a cara alegre, até me iam convencendo como resposta às perguntas que eu fazia. Curioso o único que verbalizava era eu. Se eu perguntava ele sorria e abanava a cabeça; quando eu respondia ele abria as mãos em forma de Pai-nosso e levantava as sobrancelhas. Resolvi pedir socorro, esta situação não é nada parecida com o telemarkting, esses falam que se farta. A minha saída airosa foi desculpar-me com um “tenho que consultar a minha quase-esposa”, ao que ele respondeu com um fechar de olhos seguido de um aceno afirmativo de cabeça, ligeiramente inclinado para a direita, e um gesto com a mão direita aberta (aquilo deve ser ensaiado) indicando o caminho, pondo-me à vontade.

A minha quase-esposa veio almoçar a casa. Contei-lhe. Só me começou a levar a sério, penso que só me começou a levar a sério, quando eu a meio da tarde a fui visitar e lhe sugeri que amanhã, em vez de irmos apenas dar uma voltita e beber um cafésinho, pudéssemos também ir ver a casa. As mulheres são mesmo diferentes dos homens. Não que eu considere que qualquer um nós represente ou sirva de exemplo em nome de uma espécie mas que elas são diferentes são. Tendo em conta a maturidade e experiência de ambos fiquei convencido que o homem não nos iria vender nada que não quiséssemos comprar. De não assinar compromisso nenhum, de não nos metermos em nenhuma alhada, porque uma brincadeiras destas é para o resto da vida. A tal diferença das mulheres fez-se sentir e ao fim do dia já lá estávamos a ver a casa com vendedor e tudo! Em relação à despesa para o resto da vida, também fiquei esclarecido em relação a esse assunto, o vendedor falou, (é verdade!) dizendo que a despesa com a prestação desta casa não seria para o resto da vida (e aqui fiquei intrigado, porque das minhas finanças percebo eu e sei que isso não é possível, do céu só cai chuva e nem sempre, a crise já vai chegando à chuva) porque… e agora um bocadinho de suspense… os portugueses mudam de casa a cada oito anos.

A casa era impecável! Digna de um romance, não de uma grande obra literária mas o suficiente para se parecer com um ninho: um escritório; dois quartos; duas casas de banho; uma sala já com lareira, daquelas salas que dão para andar lá de bicicleta; uma cozinha com acesso às traseiras onde caberia bem um pequeno pomar e uma piscina; na frente da casa poderiam estacionar meia dúzia de viaturas (pensei que lá se fosse o meu descanso pela altura do Natal); de cada lado da casa até ao muro dos vizinhos passa, à vontade uma carrinha e um sótão do tamanho da casa. Traseiras com vista para a serra e, qual cereja, em frente da casa, uma escola primária. Não pode existir melhor localização do que em frente a uma escola, porque quando começa o barulho já eu tenho saído de casa, e ao fim-de-semana quando estou em casa, não há ninguém na escola, um paraíso. Uma mudança radical de vida, vou ter um pomar, fixe!

Não há bela sem senão… a casa ainda não estava pronta, o actual proprietário divorciou-se, as paredes estão rebocadas mas por acabar, nem portas nem janelas; nem muro à frente nem atrás mas… o construtor assume acabar a obra. Perguntou-nos, dias depois quando finalmente conseguimos falar com ele, o que queríamos que fizesse na casa. Difícil de perceber, eu pelo menos não percebia que parvoíce era aquela, queríamos o que estivesse na caderneta da casa, ora essa! Qual caderneta? – inquiriu o construtor. Sem mais delongas passando imediatamente ao resumo: até uma carrada de pedras para o chão à volta da casa acrescia ao total final, nem acesso ao sótão existia, e, se nós quisemos comprar a casa, para ele construtor, tudo bem, caso quisemos que ele acabasse a obra, tudo bem também desde que pagássemos mais 1/4 de valor que nos tinha sido dito pelo vendedor, porque para ele, construtor, não existia problema nenhum, pois o actual proprietário ainda a estava a pagar.

Acabamos por ir visitar um apartamento (dantes visitavam-se as pessoas, agora visitam-se as casas). Tinha uma varanda que dava para andar de carro! 18mX3m! Tinha mais coisitas: era triangular, os moradores não pagam condomínio desde sempre, ou deveria dizer desde nunca, porque nunca pagaram e os que chegaram agora acham que não têm que pagar retroactivos e a empresa que geria o condomínio já não gere e a advogada que mora lá embargou aquela merda toda e aquilo está tudo em tribunal! As coisas que se podem saber quando se fazem umas perguntinhas na taberna.

À terceira é de vez. O vendedor não nos largou. Até entramos de carro para dentro da casa. “A gente não quer uma coisa assim tão grande!”. Bom preço. Competitivo. A avaliação permitira de certeza absoluta o empréstimo, a casa tinha sido dada pelo construtor ao proprietário do terreno, por isso ele baixaria mais um bocadinho o preço. “Nada melhor do que mandar avaliar, é garantido!” – assegurava o vendedor. Pedimos-lhe uma simulação, explicou-nos muito bem explicadinho que era melhor, seria mais garantido, eficaz e barato, se o fizéssemos com uma avaliação. Gostei da palavra barato. Ligou-me e combinámos falar pessoalmente na nossa casa, tinha boas, boas não: óptimas notícias! O Santander aprovou o crédito, a avaliação chegou e sobrou, excedia em cerca de 1/6 do valor da casa o dinheiro que o Santander nos iria emprestar. Quando vi o vendedor cruzar os dedos pensei que desta é que iria vê-lo rezar o Pai-nosso. Abriu as mãos, lentamente separou os dedos e de palmas viradas para nós perguntou: – Então, para quando é que marcamos a escritura? – e sorriu. Após muita insistência lá nos disse que a prestação ficava baratinha quando comparada com todas as outras tretas que ele para ali disse, o que eu queria saber era o valor. Finalmente sussurrou um número, a minha-quase esposa somou o que faltava, que dois seguros de não-sei-quê, e eu quando recuperei o ar fiquei em silêncio. – Então, o que é que me têm a dizer? – perguntou, sorriu e fez mais umas expressões enquanto aguardava pela resposta que tardava. A minha quase esposa olhou para mim e eu respondi ao homem: – F#ª$-§*!

A quantia a pagar por mês ao Santander era de valor igual ao dobro da nossa renda de casa. Havia mais outro guloso aí pelo meio da história, o que angariou a casa, que nunca mais nos falou. A imobiliária disse que nunca tinha vista uma coisa assim: com crédito aprovado, alguém desistir de um negócio.

A casa vista por nós

Até hoje ainda não chegou a tal da simulação. Chegou sim uma carta do Santander para pagarmos os juros de demora pelo dinheiro que lhes estávamos a dever: “liquidação de juros – €23,79”. Nós nem sabíamos que estávamos a dever dinheiro ao Santander! Pagamos aquilo tudo e encerramos a conta. €21,80 para “Desp de encerramento contas”. Bem, nesta instituição bancária fizemos uma colecção de selos que foi obra. Eu ainda não vi selo nenhum mas que comprei bué deles, lá isso comprei.

Contactámos a imobiliária e a senhora (boazona!) lá nos explicou muito bem explicadinho que eles não tinham nada a ver com isso. Fiquei sem perceber a explicação. Ela tornou a explicar muito bem explicadinho, mas deve ter sido só na cabeça dela porque eu fiquei na mesma sem saber porque é que a imobiliária deixa de ter a ver com o assunto a partir do momento em que nós não aceitamos o negócio. O Santander explicou-nos que nós, através da imobiliária, estabelecemos um protocolo com eles, o que nós os dois queríamos era ver essa papelada, saber que raio de protocolo é que nós temos estabelecido com o Santander! A gaja da imobliária diz que a culpa é nossa porque não aceitámos, certo já percebi essa parte e por não termos aceite, eles imobiliária, não tem acesso à nossa documentação que está no Santander. O gajo do Santander diz que enviaram a papelada para a imobiliária. A imobiliária diz que não. Uma segunda via custa uma pipa de massa e eu, achei que já estava a fazer figura de otário há muito tempo, quando me apercebi que a jogada entre a dona da imobiliária e o gerente do Santander não existe no papel, por isso é que eles vendem (não é emprestar) aquele dinheiro todo a mais, por isso é que a avaliação da casa dava para tudo e mais alguma coisa… remar contra a maré, é um desperdício de energia. Quinhentos euros que nos custou andar a brincar às casinhas. Quinhentos euros e uma pilha de nervos durante semanas.

A casa vista pelo banco

Então tu és meu amigo pessoal e não me dizias nada?! Então andas a comprar casa e não me dizias nada?! – Ah e tal… é que na internet as tuas casas estão à venda noutra imobiliária por menos dez mil euros cada uma…

Uma semana depois já lhe tinha assinado um cheque de dois mil e quinhentos euros. As mulheres também sabem ser persuasoras, a que ele trouxe trazia a lição estudada, começou por falar de animais abandonados à minha, pronto, tocou-lhe no ponto fraco. Acabamos por ver meia dúzia de apartamentos. No último, o próprio construtor, assim que o vendedor lhe virou costas, perguntou porque é que não negociávamos com ele directamente.

Tocou o telefone, o proprietário da casa com sótão sem escada, a tal do pomar, baixava no preço da casa o valor da comissão da imobiliária, desde que negociado com ele. Pareceu compreender que nós queríamos uma casa que estivesse pronta a habitar.

Não senhor, o homem é meu amigo, tenho-o como tal, de certeza que vai estar mais atento a eventuais percalços que possam surgir, já bastam os episódios anteriores, ele de certeza que vai fazer um bom trabalho, aliás já apregoou que os amigos do partido dele, que trabalham em bancos tem a coisa controlada portanto não irá haver qualquer problema com a avaliação da casa, nem com o crédito. – apregoava o tal que se dizia meu amigo pessoal. A minha quase-esposa ficou uma profissional nestas andanças, desde que ele se apanhou com o cheque, a partir daí, foi ela que fez tudo, está especialista. Só para que eu possa aliviar um pouco a pressão, recordo um episódio muito curioso que se passou com esta imobiliária: tal como a anterior também esta têm um vendedor, um angariador e uma senhora que é dona da imobiliária, que é quem faz os contactos com os bancos, pois numa tarde que eu consegui livre, a minha quase-esposa já estava a rebentar, fomos esclarecer algumas dúvidas; disponível estava apenas o construtor, um dos subalternos do Santander e na agência imobiliária ninguém, apenas a senhora dos animais abandonados mas essa não sabe informar… o vendedor e o angariador estavam a ver a bola, porque hoje havia jogo (incrível! Isto aconteceu-me.) e a senhora da imobiliária não estaria disponível este fim-de-semana porque “têm andando muito cansada”. Ela estava ali, de acordo com as suas próprias palavras, porque… é a que ganha menos. Bom, voltemos à vaca fria, fria mas gorda porque pelos visto há muita gente a mamar nestas tetas, a avaliação não foi suficiente e o negócio não se iria concretizar, como o crédito foi aprovado, a senhora da imobiliária veio de lá travar-se de razões com os senhores do Santander, questionando porque é que ela não tinha sido avisada da visita do avaliador? Se calhar porque estava a ver a bola, digo eu não sei. Veio mesmo a calhar porque já que estávamos todos ali no banco, desvinculávamo-nos já daquilo tudo. Assim foi. O telefone tocou: venham cá ao banco s.f.f.! O crédito continuava aprovado, dispúnhamos de determinada quantia e, como tínhamos contado ao senhor do Santander da proposta do construtor, ele lembrou-nos de lhe dizermos (ao construtor) o valor que tínhamos disponível. Ele aceitou.

Uma semana depois diz que a D. Isaura disse, que eu ainda não sei quem é e nem quero saber, que nós já não ficávamos com o apartamento. Foi o que me contou a minha quase-esposa que a irmã dela lhe tinha contado que lhe contaram. Encontramo-nos com o construtor, a mulher dele não concorda com o negócio, já tínhamos escolhido as pedras da cozinha… A senhora explicou muito bem explicadinho, que tinha um acordo com a imobiliária no qual teriam sempre de pagar comissão à mesma, independentemente de quem vendesse a casa e que o marido não sabia dessas coisas porque isso era assunto dela. Pedi para ver o tal contrato, estava por assinar. O construtor deixou fugir a verdade e disse que por mais 1/3 do valor combinado o apartamento era nosso. Uma semana depois apareçeu vendido.

A casa vista pelo avaliador

Quando eu digo que a minha quase-esposa ficou expert na matéria, ficou mesmo. Ela deixou a poeira pousar e foi falar com o senhor do Santander. O patrão dela, o Sr. Presidente da Câmara, tem a sua assinatura num protocolo com o Santander cá da terra, de acordo com o qual ela ficaria isenta de pagar a comissão de dossier ou de abertura de conta ou lá de que raio é. Da existência deste acordo nem os vendedores anteriores sabiam e os funcionários do Santander jogavam no mesmo clube. Apenas o gerente estava ao corrente. Eu, por acordos que a minha quase-esposa descobriu, com o ministério da educação, mais um ou outro com o sindicato, estava isento de pagar parte da comissão de avaliação. O que significava que o Santander nos estava a dever duas vezes quase quinhentos euros. Sim senhor, foi a resposta do gerente do balcão do Santander cá do enclave de Montejunto. Com esse dinheiro que nos têm de devolver, queremos fazer uma terceira avaliação. Para que todo o processo fosse mais rápido, o gerente do Santander sugeriu quer dizer… sugerir, sugerir, não sugeriu disse que para o processo, ou melhor outro processo, o terceiro, de abertura de conta, comissão de dossier, avaliação e blá, blá, blá fosse mais rápido, seria aconselhável depositarmos dinheiro para dar andamento a tudo isso, e depois fazíamos as contas do que tínhamos a reaver.

Conversamos directamente com o construtor, mas este chamou o intermediário à baila, um vendedor muito experiente, que eu também conheço pessoalmente e não tenho a menor dúvida de que não existe avaliador que resista à lábia deste artista. Se calhar não só à lábia, visto que se aproxima o tempo frio, pode ser que a avaliação seja suficiente para comprar umas luvinhas para o inverno. Um T3 com garagem fechada, sótão, aquecimento central a gás canalizado, novo, com três anos mas novo a um preço que até parece mentira. A avaliação não deu. O vendedor explicou-nos que o avaliador tabelou o apartamento pelo valor que está no site oficial, de acordo com as contas que ele fez, foi avaliado em 618€/m2 sendo que, ele não compreende como é que isso foi possível porque em frente fica um outro prédio, já com doze anos, onde um T2 que ele vendeu, foi avaliado em 720€/m2. Quem não entende sou eu! Porque nós até fomos visitar esses T2 usados, não têm garagem, não têm sótão nem elevador…

De volta ao Santander para reavermos o dinheiro que por lá andava, quase mil e quinhentos euros, não! Não?! Como não?! Então se foi o próprio gerente que nos disse que sim, agora não?! Que parvoíce é esta? Quando o gerente voltar da América ele explicar-vos-á melhor. Qualquer explicação seria melhor do que aquela! A explicação que ele nos deu quando voltou, foi que “eles lá dizem que não…” o próprio gerente não tinha outra explicação. Não gostei e não consegui digerir… passei-me. Perdi o controlo. Fiz-me valer dos meus noventa quilos distribuídos por um metro e oitenta e quando já estava a injuriar aquela amostra de gente enfiado na cadeira a dois palmos do meu nariz, é que senti a minha quase-esposa a puxar-me pelo braço e pedir-me para sentar. Deus enviou-me um anjo em forma de gente, é ela. O Senhor do banco, e escrevo Senhor com letra maiúscula porque ele merece, comportou-se melhor do que eu: manteve-se calmo e sereno e eu não fui capaz de lhe pedir desculpa por lhe estar a chamar ratito, guloso, ladrão, gatuno, pirata! O Senhor gerente do banco mostrou uma cláusula nos protocolos celebrados com as entidades oficiais, na qual o Santander se reserva no direito (ou ao direito, já nem sei como se escreve!) de não aceitar cumprir o acordado.

Um par de dias depois fui lá pedir desculpa pelo meu comportamento. Fez-me lembrar o primeiro vendedor: respondeu-me com sorrisos e gestos de simpatia. E desculpas aceites.

A casa vista pelas finanças

Pela boca morre o peixe. Um bom vendedor de casas, ou um bom vendedor de dinheiro têm em comum, a excelente capacidade de não dizer nada. O cliente fala até responder às próprias questões. A loja de vender dinheiro está de porta aberta limitando-se a lançar o engodo, criada que está a necessidade no cliente. O grande segredo dos vendedores de casas consiste na angariação, que pouco mais é, do que aparentar dar uma oportunidade de venda a quem está à rasca, depois de assinado o acordo, a casa há-de ser vendida, sabe-se lá por quem.

Se eu fizesse marionetes, faria uma luva, porque as luvas têm cinco dedos: para alguém no banco, o polegar; o médio para o construtor; o indicador para o avaliador; a anelar para o vendedor e o mindinho para o angariador. Depois encenaria uma peça na qual a luva é aquecida no bolso de um otário, ora como estamos em tempos de crise e os trocos guardados nos bolsos rasgam o fundo, a luva teria que ser aquecida directamente nas veias. Só o calor das calças não chega, é necessário que o pulsar do otário seja canalizado para aquecer a luva.

Vou-me deixar de teatros e constar que a realidade é que se quiser pagar uma prestação baixa ao banco, mesmo com o crédito aprovado, a avaliação não deixa; caso esteja disposto a pagar o que “eles lá” querem que eu pague, já tudo é possível!

4 responses to “Casas para venda

  1. Boas,

    Descobri o seu blog à pouco tempo e tenho divertido-me bastante com a forma que coloca as suas reflexões sobre os mais diversos temas. Saliento também, que gosto bastante dos textos de Mahatma Gandhi.

    Em relação as imobiliárias, cheguei a trabalhar 2 meses numa imobiliária, e de facto confirma-se, é uma trapalhada e uma desorganização entre imobiliárias, bancos e avaliadores, que fiquei logo com dor de cabeça, já para não falar da corrupção e tramóias que eles inventam.

    Enfim, gosto do seu blog e irei seguir-lo.

    Cumprimentos,
    Hugo Santos

  2. nunoanjospereira

    Ora viva!
    Muito bem-vindo. A mim muito me apraz um comentário, dá-me uma linha de orientação. Eu escrevo acerca do que gosto mas, verdade seja dita que ter algum feedback é muito bom, fico a saber que as minhas conversas chegam a alguém. O personagem “Zé Pedro” é efetivamente baseado em algumas das minhas experiências pessoais. Pretendo que ele seja, o personagem não eu, cómico quanto baste, sarcástico o suficiente, cortante subtilmente e atual. Felizmente, por motivos profissionais, não tenho tido tanto tempo quanto ideias acerca das quais gostaria de mandar umas bocas. As casas vendem-se sozinhas.
    Às vezes, no meio desta pressa toda que é a vida, maldito relógio, gosto de refletir, de fazer uma pausa e, à falta de kitkat, aproveito os exemplos que as pessoas que dedicaram ou dedicam a vida à religião, tem para dar. Existe por lá muito boa gente. Li recentemente a “Ética para o terceiro milénio” do Dalai Lama e é curiosa uma conclusão que ele refere, mais ou menos assim: “Todos queremos ser felizes e evitar o sofrimento”. Não consigo ler os preceitos de vida de Gandhi de empreitada porque acho que alguns deles merecem uma reflexão, ou ao contrário, eu posso tirar proveito deles se fizer alguma reflexão. Decidi partilhar os que considerei terem mais impacto… não me consegui decidir, assim conforme leio, partilho.
    Obrigado por enriquecer este blogue com o seu comentário e, como se fazia por terras de Abrantes quando eu era rapazote, gesticulando com a mão direita o sinal da cruz, abençoando o interlocutor, “cumprimentos? … alturas e larguras!”

  3. eu vou deixar o meu comentario pessoal de alguem que conhece um pouco destes casos, tive casa de borla (quase) comprei terreno, construi á minha vontade á quem diga que foi um palácio agora depois de umas tantas coisas terem acontecido admito que até foi mas um conselho vos dou, não construam ou comprem casa em que se empenhem mais de 15 anos é complicado para nós todos… quem nos avisa nosso amigo é…

  4. nunoanjospereira

    Uma sugestão de um engenheiro civil é sempre bem-vinda nestas andanças da construção. Reparemos no custo total de uma habitação, digamos a título de exemplo 200.000€. Uma pessoa que aufira mensalmente de 1500€, não consegue pagar uma casa destas. Mas, vá-se lá saber porquê, alguém lhe meteu na cabeça que sim, é possível. 15 anos x 12 meses = 180 prestações. Sem juros: 200.000€/180 prestações = 1100€ mensais números redondos. Ah, então 20 anos! Seja: 20 anos x 12 meses = 240 prestações; sem juros, 200.000€/240 prestações = 830€ números redondos (nada dessas conversas de .312, que isso só complica). Ah e tal 830€ se formos dois a ganhar e o outro ganhar uns mil euritos já dá… asneira da grande. A isto chama-se por a corda à volta do pescoço e dar um tiro, não no joelho, mas nos dois. Acabaram de ficar endividados em mais d 1/3 do rendimento comum. Depois vêm a prestação dos móveis; a prestação do carro (usado mas mesmo assim é uma prestação); e tudo isto anexado a uma taxa variável no mercado, ou seja os juros podem subir (ninguém vai acreditar que desçam, por mais que se vá à missa!) durante um período de vinte anos… sim lerem bem: VINTE ANOS, num mercado volátil como o atual, crescente ou abrangendo a aldeia global… esta gente só pode estar a viver fora da realidade!

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