As flores de Lótus – José Rodrigues dos Santos

jose-rodrigues-dos-santos-as-flores-de-lotus5 de Outubro. Até é feriado e tudo! Excelente dia para concluir a leitura d’As flores de Lótus. É que tem tudo a ver: “O século XX nasce, e com ele germinam as sementes do autoritarismo. Da Europa à Ásia, as ondas de choque irão abalar a humanidade e atingir em cheio quatro famílias.” – contracapa – Até aqui tudo categoria, porque o extraordinário trabalho de pesquisa dos eventos históricos, não se ensinará, por certo, apenas num anito de um curso universitário versado nestas andanças (digo eu!), narra com veracidade e dá contexto aos personagens e ás memórias que eu vou tendo do que fui aprendendo ao longo da vida. Só por aqui, já é cativante. “Depois de assistir à queda da monarquia, o capitão Artur Teixeira vê as esperanças da República afundarem-se num caos de instabilidade. Adere à revolução militar e recebe uma missão: convencer Salazar a tornar-se ditador.” – contracapa. Torna-se uma leitura muito interessante porque dá informação concreta sobre como foram os tempos do fim da monarquia e o que se passou até chegar comunismo; fascismo; socialismo e outras alternativas governativas ao que os políticos saqueadores fazem, tal como hoje, para enriquecer a clientela deles, com o nosso dinheiro.

“(…) Na verdade, o país político andava dividido quanto à monarquia. Todos defendiam que a habitual alternância no poder entre o Partido Regenerador e o Partido Progressista tinha de acabar, mas quando o rei passara da palavra aos atos e escolhera João Franco para presidente do Ministério em vez dos líderes dos dois habituais partidos caíra o carmo e a trindade. Os líderes partidários ficaram furiosos, eles e as suas inúmeras clientelas partidárias habituadas a apropriar-se do poder e que dele se viam apartadas, pelo que se aliaram aos anarquistas e aos republicanos na oposição a sua majestade e ao novo governo.” – página 64

A seguir abre o leque: “Satake Fukui cresce num Japão dilacerado entre tradição e modernidade (…)” – contracapa

“(…) No ensino primário e secundário ninguém é chumbado para não pôr em causa o seu giri.”

“E nos exames para entrar na universidade?”

“Quando a competição é inevitável, estamos perante um grande problema. Nunca ouviste dizer que muitos alunos se suicidam no Japão depois dos exames? Isso acontece justamente porque foram preteridos e, como ficaram desonrados, têm de cometer seppuku para mostrar que conhecem giri. Pelo suicídio recuperam a honra perdida.”

Fukui arregalou os olhos, impressionado.

“Quer dizer que terei de cometer seppuku se não conseguir entrar na universidade?” – página 208

“(…) veem a China arrastada para um choque titânico entre os nacionalistas, os comunistas e os japoneses (…) um radical comunista: o jovem Mao Tse-tung.” – contracapa.

E também chega à Rússia: “(…) Estaline iniciou as coletivizações e a família de Nadezhda é lançada num ciclo de medo, fome e sofrimento.” – contracapa. E aqui “As Vinhas da Ira” começam a assombrar-me a mente…

É ainda uma boa lição cosmopolita: “Não há personagens bárbaros, mãe. Têm é valores diferentes. As nossas personagens sacrificam a felicidade pessoal ao dever, as personagens deles sacrificam tudo à felicidade pessoal. Para nós é admirável e força de sacrificar a felicidade, para eles é admirável a força de alcançar a felicidade. Para nós o afeto está atrás do dever, para eles o afeto é um direito de que não prescindem. Pensam de maneira diferente.” – página 434

Mas depois, porra!  Eu já me estava a lembrar d'”As vinhas da ira” de John Steinbeck! Tinha dezassete anitos quando me entusiasmei com aquilo tudo, fiquei mesmo por dentro da ação e… de repente, quando comecei a sentir na pele o sofrimento das personagens, o que é algo excelente para um escritor fazer aos leitores, o livro…

… e já lá vão 27 anos!

 

A ilha das trevas – A filha do capitão – O Codex – A fórmula de Deus – O sétimo selo – A vida num sopro – Fúria Divina – O anjo branco – O último segredo – A mão do Diabo – O Homem de Constantinopla – Um milionário em Lisboa – A chave de salomão

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