Na margem – Rafael Chirbes

na margem“(…) Mesmo que tenha instalado torneiras de ouro nos chalés dos russos, é apenas isso, um canalizador. Foi assim que começou. Não percebe nada de vinhos nem de conhaques. Percebe de marcas, de etiquetas, o que é uma coisa muito diferente. É finório e repara no que consomem os verdadeiros ricos com quem se dá. É daqueles que andam com um caderninho no bolso e se trancam no WC do restaurante para tomar nota dos vinhos que são servidos, ou dos mais caros que viu na carta, das marcas de roupa ou de calçado que os clientes usam, anota até as palavras que não conhece e julga ser de bom-tom pronunciar. (…) Mas não serei eu a censurá-lo. (…) Um tipo aplicado. Com força de vontade e estudo, qualquer ignorante acaba por se transformar num sábio (…) uma inesperada defesa de Tomás , o canalizador. (…) ” – página 320

“(…) Era esse o modo de trabalhar de toda a gente, encargos para ir aguentando o barco e aldrabar clientes, o tipo de pessoas que se julgam classe média porque não trabalham com picaretas e pás, mas que representam de facto a mais triste classe contemporânea. (…)” – página 171

“(…) Se não chegas a conhecer quem vive contigo durante décadas, como podes confiar em alguém que se esconde por detrás de um ecrã de computador? (…)” – página 131

“( …) Pois eu corro de cá para lá setenta vezes multiplicadas por sete, todos os dias, para ganhar o pão. E bebo a água salgada do poço do meu suor (…)” – página 18

Na margem – Rafael Chirbes (2/2)

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