Certificado por trabalhar de graça patrocinado pelo governo

rock in rio“No seu site oficial, o Rock in Rio apresenta-se como «o maior festival do mundo» e nas cinco edições realizadas em Lisboa, passaram pelo seu recinto 1,7 milhões de pessoas. Em 2014, a empresa espera atrair mais de 300 mil pessoas, apesar da crise no país e dos bilhetes diários custarem 61 euros. Os responsáveis da marca dizem ter gerado mais de 300 milhões de euros para a economia local, mais de 45 mil postos de trabalho e mais de 2,8 milhões de euros em donativos para causas sociais (entre outras coisas, dizem ter instalado 700 painéis fotovoltaicos em escolas e plantado 118 mil árvores). É realmente muita benfeitoria, ou a sua estratégia de marketing não assentasse no lema «Por um Mundo Melhor». Entre tantos números sobre o Rock in Rio Lisboa, só não encontrámos os que revelam os lucros.

Esta semana, a empresa abriu o seu habitual concurso de selecção de voluntários. São 400 as vagas destinadas a jovens, a partir dos 16 anos, que irão trabalhar no evento, sem remuneração. A organização espera milhares de candidaturas (em 2013, foram 8 mil). Mas se cada uma destas pessoas trabalhasse 40 horas no total dos cinco dias do festival, a receber cinco euros por hora, o Rock in Rio Lisboa teria uma despesa de 80 mil euros com estes trabalhadores. O valor corresponde a 0,32% do orçamento do evento (25 milhões de euros).

Segundo o Dinheiro Vivo, o programa de voluntariado terá este ano um «um incentivo extra: o trabalho feito no festival será certificado pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, no âmbito do programa ‘Agora Nós’». O jornal, sem questionar a posição do Governo, cita o secretário de Estado do Desporto e Juventude, Emídio Guerreiro: «Os jovens que vão participar vão ter um certificado de participação que pode ser incluído nos seus currículos, dando nota dessa disponibilidade para fazer mais do que os outros.»

Assim, através deste governante, o Estado não só se associa à promoção do trabalho não remunerado, a favor de interesses privados, como ainda premeia quem a tal se submete. Guerreiro, tal como Alexandre Mestre (que o antecedeu no cargo e aconselhou os jovens portugueses a emigrar), mostra que a juventude nacional está órfã de governo. E que apelar apenas ao ganho de vergonha, já não é suficiente.”

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