O Homem de Constantinopla – José Rodrigues dos Santos

homem de constaninopla«“Isso é um ultraje!”, cortou Hendrik, incapaz de se conter mais. “Desde quando é que os governos se envolvem em gestão comercial? Desde quando ajudam umas empresas umas contra as outras?”

            “Desde que é do interesse nacional, senhor Van Tiggelen.”

            “Mas não vê que a Anglo-Persian está mal administrada? Se tem dificuldades financeiras é porque as pessoas à frente dela não são suficientemente competente. (…)”» – página 470

É curioso isto da ficção. Não sabemos, ou melhor: fingimos não saber a diferença entre o que é ficcionado e a realidade. E a realidade, quando se torna mais conveniente que não seja verdade, imaginamos que essa parte da narrativa seja ficção. Também é curioso como é que a história é cíclica e tudo se repete e quando tudo aquilo que acontece nos noticiários nos permite pensar que não temos sorte nenhuma com o presente, continuamos a esconder a cabeça na areia quando não gostamos de ser vítimas da sociedade que criámos e toleramos, ou seja: compactuamos.

“Fica o senhor avisado de que, no final do ano lectivo, o melhor aluno desta escola será o meu filho!”, vociferou em tom ameaçador. “E não quero classificações de favor (…) fará o que considere necessário para alcançar esse objectivo. Fiz-me entender?” – pág. 32

“(…) Depois, claro, veio o crash e… pimba!, o estado otomano foi apanhado com as contas a descoberto!” Baixou a voz. “Um amigo meu do Banco Imperial Otomano contou-me que os bancos internacionais, quando criaram a comissão de liquidação e pediram para ver as nossas contas, ficaram horrorizados. Parece que o império não tem um sistema de contabilidade!” Abanou a cabeça. “Ninguém sabe exactamente o que se gasta em quê, é um desgoverno completo. Os europeus perceberam que andávamos a pedir empréstimos para pagar empréstimos. Uma vergonha! (…)” – págs. 43-44

“Dizem que, além de estarem a seguir o belo exemplo do profeta, frequentar uma menina prolonga a vida. A juventude dessas raparigas transmite-se a eles, e a velhice deles transfere-se para elas.” – págs.65-66

«“Fiquei rico da noite para o dia!” (…)“E tudo por causa de uma troca de contratos com o estado…”» – pág. 169

«(…) “Uns ladrões! Os políticos, essa escória da humanidade, usam o dinheiro dos outros para se servirem a si mesmos! Não passa de uns miseráveis parasitas!” Respirou fundo para se acalmar. “Mas, se viver num hotel, poderei fintar essa canalha dos impostos (…)”» – pág. 362

Por mais vozes que se insurjam contra José Rodrigues dos Santos – a mais espetacular delas todas é que ele é um agente infiltrado da CIA – eu partilho convosco que considero este livro mais um grande momento de prazer de leitura.

A mão do diabo O Anjo Branco Fúria Divina A Filha do Capitão A vida num sopro O sétimo selo A fórmula de Deus O codex 632 A ilha das trevas O último segredo – A chave de Salomão – Um milionário em Lisboa – As flores de Lótus

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