O inimigo da (extinta) Educação Pública

crato“O grupo parlamentar do PSD apresentou em 2008 no Parlamento uma proposta de resolução na qual considerava “gravoso” que se quisesse sujeitar professores com vários anos de contratos a uma prova de avaliação de competências e que se lhes exigisse uma nota mínima de 14. Cinco anos depois, o ministro da Educação Nuno Crato propõe aos sindicatos um modelo de prova com características semelhantes. (…) “Depois da resolução [do PSD], a ministra Isabel Alçada [PS] aprovou um diploma, em 2010, onde dispensava da prova os professores que tivessem tido Bom na avaliação do desempenho. E agora o ministro Nuno Crato vem dizer que o professor Manuel, por exemplo, que já estava dispensado da prova, deixa de estar dispensado. O que é de legalidade duvidosa.” Rios nota que “os professores fazem uma licenciatura, passam pelo período probatório, andam anos a dar aulas a contrato, já há uma série de filtros”. (…) A proposta de resolução n.º 338 de 6 de Junho de 2008, assinada à cabeça pelo actual líder da bancada parlamentar do PSD Luís Montenegro, recomendava ao Executivo que os docentes que tivessem celebrado contrato “durante um ano, nos últimos cinco anos” e que tivessem obtido uma avaliação de desempenho de Bom ou mais deveriam ser “dispensados”. Os deputados queriam corrigir o que consideravam uma “injustiça”. (…) O exame terá um tronco comum, escrito, que visa, entre outros, avaliar a capacidade dos candidatos para “resolver problemas em domínios não disciplinares”. E uma “componente específica”, que variará em função da área disciplinar.”

Ora bem, como é que eu explico numa prova, que aqueles alunos que há uns anos atrás me correram à pedrada, hoje vêm ter comigo na rua, no autocarro, no shopping e fazem uma festa, que é reciproca, quando me avistam? Além do mais, estas técnicas especiais que se chamam – para quem não saiba – “gostar do que se faz” não se aprendem nas universidades. Ser professor não é para qualquer um! É um talento nato! Conseguir pegar ao colo de um aluno “da segunda classe” e fazê-lo parar de chorar porque se magoou, ou dar um abraço e um ombro amigo ao aluno do secundário que chora porque a namorada o deixou, não se aprende, não se ensina, vive-se. E agora este “post” vai ter bué de visitas porque eu escrevi “segunda classe” em vez de segundo ano.

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