Vagabundos cruzando a noite – Jack London

vagabundos

“Lançar um osso a um cão não é caridade. Caridade é partilhar o osso com o cão quando se tem tanta fome como ele.” – Jack London. Sim senhor! Estes autores do séc. XIX são fascinantes! Um romance simples, conciso e… verídico.

Síntese: “Jack London fez parte muito cedo, aos 16 anos, dos desempregados nómadas que percorriam os Estado Unidos e o Canadá, praticando a mendicidade para comer, deslocando-se ilegalmente nos comboios das grandes linhas. Esta duríssima experiência existencial teve no seu caso repercussões duradouras, revelando London nesta obra autobiográfica a genes da sua criação literária: «muitas vezes tenho pensado que é a esse treino da minha vida de vagabundo que devo muito do sucesso que alcancei como escritor.» porque para o vagabundo o essencial reside em ser capaz de contar uma boa estória à pessoa que consiga abordar, apelando à personalidade peculiar e ao temperamento dessa «vítima» (é o termo que emprega). A grande dificuldade narrativa resulta do facto de no próprio instante em que a aborda ter de iniciar essa estória, sem um minuto sequer de preparação. Jack London, que se inscreve na grande tradição oral do Oeste dos Estados Unidos, expõe neste livro as condições – hoje de novo na ribalta – dos condenados pelo sistema económico à condição de párias.” – e tudo isto na última década do século XIX, não trocar a numeração e confundir com o de hoje!

“Em certas casas, batiam-me a porta na cara, sem me deixarem acabar de pedir, em tom polido e humilde, algo de comer. Numa delas, nem abriram a porta. Fiquei debaixo da varanda e bati. Vieram à janela para me ver. Até ergueram nos braços um robusto rapazinho para ele poder observar, por cima dos ombros dos mais velhos, o vagabundo a quem não iam dar nada.

Tudo indicava que me veria obrigado a recorrer à gente pobre. Os muitos pobres são o último recurso do mendigo com fome, mas é resultado garantido. Pode-se sempre contar com os pobres. Nunca dizem que não a um faminto. (…)” – página 11

“Páginas da vida piores do que a que descrevi? Leiam os relatórios sobre trabalho infantil nos Estados Unidos – a leste, a oeste, a norte ou a sul, tanto faz – e saibam que todos nós, os sedentos de lucro, compomos e imprimimos páginas da vida piores do que a simples página do espaçamento da mulher junto ao Susquehanna.” – página 64

Não me consigo lembrar de quando é que foi a última vez que li um livro de um dia para o outro, se é que alguma vez fiz isso! Eu tento não ter pressa na leitura, tento lembrar-me do prazer da leitura em si, do momento em que estou a ler e isso, esse pequeno espaço de leitura não tem nada a ver com pressa, com chegar ao final da história, não, a leitura não é um prazer que se faça a correr, neste livro, não consegui evitar.

The Call of the Wild & White Fang

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