O fiel jardineiro – John Le Carré

FIEL_JARDINEIRO

Em relação ao romance em si, até que enfim que alguém foi capaz de por o dedo na ferida e explicar como é todo este pântano das farmacêuticas, sem medo de represálias. Porque, sei que há quem seja capaz de o denunciar mas…

“ – Procurou uma analogia terra a terra. – Vejamos, por exemplo, a velha rede de distribuição de água britânica, construída em 1890, mais coisa menos coisa. A água sai do reservatório. Parte dela, com um bocado de sorte, chega até à nossa torneira. Mas pelo caminho passa por vários canos cheios de buracos. Ora, quando essa água é oferecida graças ao bom coração do contribuinte, não se pode deixá-la perder-se no solo, não é verdade? Sobretudo quando se depende do eleitor inconstante para se manter o emprego.” – página 73

“- Segundo o mesmo argumento, o auxílio ao Terceiro Mundo é exploração com um nome diferente, – continua. – Quem beneficia são os países que entram com o dinheiro a juros, os políticos africanos, os funcionários que arrecadam subornos gigantescos e os empresários e vendedores de armamento ocidentais que saem daqui com lucros gigantescos. As vítimas são o homem da rua, o desenraizado, o pobre e o muito pobre. E as crianças que não terão futuro – termina ele, citando Tessa e pensando em Garth.” – página 139

“Ghita, permanentemente indisposta com tudo e com todos – dos católicos romanos, que se opunham à regulação de nascimentos no Terceiro Mundo e queimavam ostensivamente preservativos no Estádio de Nyayo, às companhias tabaqueiras norte-americanas, que metiam drogas nos cigarros para criar o vício nas crianças, aos mandões de guerra somalis, que lançavam bombas de fragmentação em aldeias indefesas, e às fábricas que faziam estas bombas.

– Quem é essa gente, Tessa? – murmurava ela muito séria.” – página 211/2

“(…) O documento fala de uma piada da época. Quando vou lê-lo a Lara, ela interrompe-me e diz-me exatamente o que eu ia dizer: «Os Ministros russos da Saúde chegam lá de Lada e saem de Mercedes.»” – página 268

“-Você passou à história, Donohue. Você ainda pensa que são os países que governam a merda do mundo. Volte para a instrução primária, porra! O hino agora é «God save our multinational».” – página 333

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