A mão do diabo – José Rodrigues dos Santos

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Um livro urgente – adjetivo; urgente diz-se daquilo que requer ação ou atenção imediata –  pois esclarece, explica, ilumina as trevas onde todos estamos mergulhados. É a explicação que faltava. Por mais inacreditável que possa parecer, trata-se de ficção, que eu saiba, o personagem principal, Tomás Noronha, não existe. Desta vez, coitado, é relegado para segundo plano. As aventuras e peripécias que um exemplar personagem extraordinariamente elaborado e enriquecido ao longo de toda esta saga – já lá vão meia dúzia deles – são ensombradas  pela expetativa criada em torno das conversas dos personagens ao longo da ação. Primeiramente, fiquei curioso em saber o que é que iria acontecer ao desgraçado do Tomás, tudo lhe calha, depois, à medida que as conversas vão surgindo entre os personagens, a crise vai sendo explicada nos diálogos, foi essa a forma que JRS encontrou para dar a aula, fazer a reportagem ou simplesmente explicar a realidade. Aqui eu achava que eles nunca mais se calavam com aqueles prelúdios e interlúdios, impedindo a ação de acontecer. Com o desenrolar não da ação mas com a densidade da explicação da crise, como chegou a parâmetros que eu não conhecia, já queria mais era que “eles” parassem lá com a ação e explicassem o resto da crise! Enquanto romance, não é nada de especial comparado com os outros, agora enquanto informação!… recomendo vivamente a sua leitura. E, se até agora José Rodrigues dos Santos passou incólume por tudo o que escreveu, se continuar assim e resolver escrever acerca das “seven sisters”, as outras entidades que mandam no mundo… vai retirando a populaça da ignorância! E isso é algo que não interessa aos mandantes.

«(…) Mas aposto que, se os Gregos começarem a viver à custa do dinheiro dos impostos cobrados em Portugal, os Portugueses deixarão de achar graça a essa conversa do berço.” – página 68

“A única coisa que se vos pede é que tenham juízo e só gastem o dinheiro que o vosso país efetivamente produz, não o dinheiro que os outros produzem” disse Sepp.” – página 71

 “Olhe, as autoestradas, por exemplo”, indicou. “Será que podemos vender autoestradas aos estrangeiros? Não podemos. É um bem que não pode ser transacionado. Já os sapatos podem ser vendidos ao estrangeiro. Ou a roupa, o vinho e o azeite. São bens transacionáveis. Acontece que os sucessivos governos portugueses, chefiados por gente iluminada, decidiram que o melhor era mesmo investir no sector não-transacionável , em coisas que não pudessem ser exportadas. Pusemo-nos assim a construir estradas, pontes, aeroportos, estádios, rotundas, túneis… eu sei lá! Está a ver como as autoestradas constituem parte do problema?” – página 128

“É isso uma PPP, mas não em Portugal, meu caro! O que se passou cá foi que o estado chegou ao pé dos privados e disse: construam uma autoestrada e fiquem com a exploração durante trinta anos, mas se der prejuízo os contribuintes pagam. Está a entender? Nas PPP portuguesas, o risco dos privados é zero e o risco para os contribuintes é total. Os privados ficam com o lucro e sem risco, o estado fica sem o lucro e com o risco. (…)” – páginas 130/1

“Pois, mas com esta política os governantes tornaram-no insustentável. Os mesmos que falavam em defender o estado social eram aqueles que mais faziam para o destruir. Portugal tem a maior dívida externa desde 1892, a maior dívida pública dos últimos cento e sessenta anos, o maior número de desempregados na sua história e o pior crescimento económico desde a Primeira Guerra Mundial. Com números deste gabarito, como raio é possível sustentar o estado social que criámos?” – páginas 171/2

“(…) Está a ver o esquema? Arriscar passou a compensar porque os grandes bancos ficariam com os prémios e jamais com os prejuízos, uma vez que o estado nunca os deixaria cair.” – página 275

“Isso é irónico”, riu-se Raquel. “Já viu? A desregulação, concebida para retirar o estado do mercado, acabou por obrigar à maior intervenção de sempre do estado no mercado.” – página 292

“(…) A única maneira de sobreviverem era fabricarem produtos que os outros quisessem a preços que os outros estivessem dispostos a pagar. Mais nada.” – página 355

Ó António, que ideia é essa de estares a preparar uma lei sobre crimes da responsabilidade de titulares de cargos públicos?”, questionou o primeiro-ministro em tom alterado. “Estás doido ou quê?” – página 349

O último segredo O Anjo Branco Fúria Divina A Filha do Capitão A vida num sopro O sétimo selo A fórmula de Deus O codex 632 A ilha das trevas O Homem de Constantinopla – Um milionário em Lisboa – A chave de Salomão – As flores de Lótus

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