Marina – Carlos Ruiz Zafón

Fantástico!

Simplesmente fantástico.

É de ficar “colado” à leitura.

Lê-se de uma assentada.

Para quem já leu A Sombra do Vento ou/e O Jogo do Anjo, é de leitura obrigatória pois é mais do mesmo e não há muita gente por aí a escrever assim. Nada de grandes literaturas nas quais é preciso pensar, imaginar, especular e decidir o que é que o autor quis dizer com aquilo, este não! É simples, parece-se quase com as aventuras de Nadia e Alexander com a avó Kate (Isabel Allende), com a diferença de os personagens serem adolescentes, Marina e Óscar Drai misturados com o fantástico que podemos ler nos outros livros. Não sabemos se são almas do outro mundo, mas… para quem já leu Carlos Ruiz Zafón, sabe que se calhar não é bem assim e até haverá uma justificação para tal comportamento. Muita arte, artistas, ramblas e edifícios antigos envoltos em mistério, muito suspense, muito intenso, muito bom.

“Na Barcelona de 1980, Óscar Drai sonha acordado, deslumbrado pelos palacetes modernistas próximos do internato onde estuda. Numa das escapadelas nocturnas conhece Marina, uma rapariga audaz e misteriosa que irá viver com Óscar a aventura de penetrar num enigma doloroso do passado da cidade e de um segredo de família obscuro. Uma misteriosa personagem do pós-guerra propôs a si mesmo o maior desafio imaginável, mas a sua ambição arrastou-o por veredas sinistras cujas consequências alguém deve pagar ainda hoje.”

“Isto” merece música de fundo. Esta é a minha sugestão para ilustrar a história:

“- Deve ter notado que não temos electricidade, Óscar. A verdade é que não acreditamos muito nos avanços da ciência moderna. Afinal, que tipo de ciência é essa, capaz de pôr um homem na Lua mas incapaz de pôr um pedaço de pão na mesa de cada ser humano?” – página 47

“«A natureza é como uma criança que brinca com as nossas vidas. Quando se cansa dos brinquedos partidos, abandona-os e substitui-os por outros», dizia Kolvenick. «É responsabilidade nossa apanhar os bocados e reconstruí-los.»” – página 116

“Os seus passos guiaram-me até às oficinas da Velo-Granell junto ao mercado do Borne. Mikhail fora sozinho. Tive de enfiar-me por uma diminuta janela, num beco. O interior da fábrica pareceu-me um cenário de pesadelo. Centenas de pés, mãos, braços, pernas, olhos de vidro, flutuavam nas naves… peças de substituição para uma humanidade destruída e miserável. Percorri aquele lugar até chegar a uma grande sala às escuras, ocupada por enormes tanques de vidro em cujo interior flutuavam silhuetas indefinidas. No centro da sala, na penumbra, Mikail observava-me sentado numa cadeira, fumando um charuto.

– Não devias ter-me seguido – disse sem raiva na voz.” – página 199

O meu amigo Óscar é um desses príncipes sem reino que correm por aí esperando que os beijemos para se transformarem em sapo. Entende tudo ao contrário (…)” – página 251

O Príncipe da Neblina

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