O Jogo do Anjo – Carlos Ruiz Záfon

Carloz Ruiz Záfon conta-nos uma história simples de um escritor que já a beijar a casa dos 30, desiludido com a vida amorosa e profissional, ainda por cima doente e como se não bastasse, a viver sozinho num casarão em ruínas, eis se não quando surge na sua vida um estrangeiro que diz ser editor de livros. De voz suave e sedutora, capaz de realizar os mais fantásticos sonhos de um escritor… e é claro que um pouquinho de água a quem tem sede, é sempre bem-vinda, quanto mais não será a fartura!? O que o tal senhor pede em troca é narrado na excelente e cativante obra que é “O jogo do Anjo”. Com uma dose q.b. de suspense e sobrenatural, na qual até a saúde do personagem principal melhora em troca de… fazer aquilo em que é bom: escrever, subordinado a um predeterminado tema. Rapidamente se passa do suspense à ansiedade e a história acaba por nos absorver, diria mesmo sugar, melhor do que isso, deixo algumas citações: Página 139: “Acenei afirmativamente, intrigado com o ar de solenidade e secretismo do livreiro. Segui-o sempre pela rua estreita, pouco mais que uma brecha entre edifícios sombrios e em ruínas que pareciam inclinar-se como salgueiros de pedra para fecharem a linha de céu que desenhava a silhueta dos terraços. Pouco depois chegávamos a um grande portão de madeira que parecia vedar um velha basílica que tivesse permanecido cem anos no fundo de um pântano. Sempere subiu os dois degraus até ao portão, agarrou na aldraba de bronze forjado em forma de diabrete sorridente. Bateu três vezes à porta e voltou a descer, esperando ao meu lado.” – descreve-nos um local que qualquer amante da leitura gostaria de visitar. Página 160: “- Lembro-me muito mal do pai-nosso. – Uma oração muito bonita e bem trabalhada. Poesia à parte, uma religião é no fundo um código moral que se expressa por meio de lendas, mitos ou qualquer tipo literário a fim de estabelecer um sistema de crenças, valores e normas com os quais regular uma cultura ou uma sociedade.” – faz parte de um pedido feito ao personagem principal. Na página 220 pode ler-se: “O silêncio faz com que até os ignorantes pareçam sábios durante um minuto.” No final da leitura percebi a fotografia da capa! Este é mais um livro que já seguiu para bookcrossing. Quem o levou já me telefonou ao fim de um voo de 2500Km. São quinhentas e tal páginas de puro prazer de leitura!

No blogue Livraria Nobel Perdizes & Vanilla Caffé pode ler-se a totalidade deste excerto que é um excelente complemento ao “post”. (…) trechos da entrevista: (…) “O Jogo do Anjo” é o sexto romance que publico e, talvez por isso, a experiência de muitos anos no ofício me permita a perspectiva e a distância para não confundir as coisas ou deixar-me condicionar demais pelas expectativas. (…) O coração deste mundo é o Cemitério dos Livros Esquecidos e a Barcelona misteriosa que conhecemos em “A Sombra do Vento”. As diferenças são de tom, perspectiva e construção. “O Jogo” é mais sombrio, mais gótico e complexo e “joga” ao implicar o leitor no processo narrativo, convidando-o a interpretar a trama e a fazer parte da resolução da história. (…) Todos os personagens que um escritor cria têm algo de si mesmo, não somente o protagonista ou aqueles que se parecem com ele são um espelho. (…)

Sinopse por Moacyr Scliar (…) A história, que tem como cenário a sempre fascinante cidade de Barcelona no começo do século XX, começa de maneira relativamente simples: David Martín, filho de um veterano de guerra violento e desesperado e de uma mãe com quem não tem contato, é um jovem que trabalha em um medíocre jornal. (…) É contratado por uma editora para escrever, sob pseudônimo, uma série de publicações que acabam alcançando grande êxito. Então, recebe uma nova oferta, desta vez de um misterioso editor de Paris, Andreas Corelli: trata-se de produzir, mediante fabuloso pagamento, um livro que será uma espécie de bíblia para uma nova religião a ser fundada. (…) O fantástico (…) comparece por meio de um misterioso lugar chamado a Cemitério dos Livros Esquecidos; ali, Martín encontra uma antiga obra escrita por alguém que tem algo em comum com ele próprio (…) Mas o livro é mais um thriller, com mortes se sucedendo em cenários sombrios (cemitérios, mansões em ruínas), o que gera um clima de paranóico pesadelo: de fato, David só pode confiar em seu amigo, o livreiro Sempere, e em Isabella, uma espécie de discípula literária. Diz o “New York Times”: “(…) nada de monólogos interiores, nada de longas reflexões sobre a condição humana e o sentido da existência, ainda que frases espirituosas (o humor do autor é outro apelo à leitura) pontilhem a narrativa.” (…) Um livro de ação, bem narrado, agrada a muita gente.

A Sombra do Vento Marina O Príncipe da Neblina

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