Fúria Divina – José Rodrigues dos Santos

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“O Iraque foi um disparate pegado do Bush filho e a história das armas de destruição em massa não passou de um pretexto para viabilizar a guerra pelo petróleo e estender o domínio americano ao Médio Oriente. No entanto, no caso das exportações da rede Khan receio que estejamos a falar de uma coisa muito séria.”

“Vocês têm provas?”

“Claro.”

“Não me estou a referir às provas do estilo daquelas que o vosso secretário de Estado foi à ONU apresentar contra o Iraque…” – página 54

“A soberania foi retirada a Alá e de novo transferida para o homem, fazendo com que uns homens mandem noutros e façam leis que contradizem a Lei Divina. Como resultado dessa rebelião, voltou a opressão. Olha para o nosso governo, não é ele corrupto? Não vês tu corrupção por toda a parte? (…)”

“Esse hadith mostra que não se pode criticar o islão e que a punição para quem o fizer é a morte. Aliás, é uma evidência que a crítica ao islão não pode ser feita. Como pode o respeito por Deus ser compatível com a liberdade de expressão? Como pode o islão ser compatível com a democracia?”

“Lembre-se de que os fundamentalistas não estão a inventar nada. Limitam-se a executar à letra as ordens do Alcorão e a seguir o exemplo do profeta. Eles citam profusamente os textos sagrados do islão e o grande problema é que, quando vamos às fontes verificar o que está lá escrito, descobrimos que os fundamentalistas têm razão. Está lá mesmo escrito o que eles dizem que está escrito.”

Estas citações são a novidade em relação “às aventuras de Tomás Noronha”. A gaja boa aparece, como não podia deixar de ser. Revela-se uma cómica surpresa. A acção decorre em dois momentos paralelos no espaço e no tempo. De um lado o personagem Tomás Noronha e no outro um menino muculmano que chega à idade adulta onde os dois momentos de acção se juntam e a partir dai, convergem juntos para o grande final. De iníco pareceu-me haver um grande desfazamento entre o momento da mensagem que despoleta tuda a acção, mas lá mais para o fim, apercebi-me que seriam apenas dois meses, quando fizer uma segunda leitura, por certo ficarei mais esclarecido. E, a evolução da personagem do menino é muito mais rápida que os acontecimentos na vida do personagem principal. Impecável! Primeiramente é o próprio Tomás que não acredita na hipotese da existência de terroristas em Portugal, mas lá mais para o final do livro é ele que explica à americana como é que é possivel que existam em todo o mundo. Não obstante já aguardo com curiosidade a próxima obra de José Rodrigeus dos Santos.  Pode ser lida aqui a entrevista que deu ao Jornal de Notícias.

O último segredo A mão do diabo O Anjo Branco A Filha do Capitão A vida num sopro O sétimo selo A fórmula de Deus O codex 632 A ilha das trevas

O Homem de Constantinopla – Um milionário em Lisboa – A chave de Salomão – As flores de Lótus

8 responses to “Fúria Divina – José Rodrigues dos Santos

  1. ernesto barbosa

    Acabei de ler “Fúria Divina” de JRS. Confesso que estou estupefacto…

    É mais um belo romance de JRS, na senda de outros dois anteriores (“A fórmula de Deus” e “Sétimo Selo”) com uma abordagem policial romanceada a temas preocupantes do nosso tempo. Confesso que não tinha a mais vaga ideia sobre a apologia que o “Alcorão” faz à violência e, com este romance, aprendi mais sobre o islão do que alguma vez imaginara. Mas, convém estar atento. Nestes textos ditos sagrados, tal com na “Bíblia”, é preciso ter cuidado com as interpretações que se fazem.

    De qualquer modo, o enredo está muito bem conseguido, prendendo o leitor ao texto, da primeira á última página, pese embora terminar de forma um pouco, digamos, inesperada.

    Mas não estou estupefacto por isso…

    Estou estupefacto porque, ao contrário das três obras anteriores (“Codex 632”, “A Fórmula de Deus” e “Sétimo Selo”), em que o nosso herói, Tomás de Noronha, misto de James Bond/Indiana Jones, o galã português de olhos verdes (oh JRS, entre as ruivas e as louras, quem faz furor são “olhos castanhos e pretos”) mergulha de cabeça logo ao primeiro encontro, papa mulheres, como moscas o camaleão; aqui, a saga de Tomás de Noronha parece estar a caminho do fim. Então não é que as hormonas se sumiram, a libido se foi embora. Nem uma p’ra recordação. Nada!

    O que se terá passado com JRS!? Que lhe terão dito os amigos!? Alguém lhe terá sussurrado “oh Zé não vás por aí, porque não convences…!”.

    O JRS revelou-se um excelente escritor, abordando certos temas com mestria. Mas, sobre sexo…!? Naah!!

    Para escrever sobre sexo tem que se ter duas ou três características fundamentais (esclareço desde já que isto não é nenhum tratado, não está escrito em lado nenhum; sou eu a inventar): ser um bom escritor, ter um talento de génio e ter vivido as situações (ou a coisa soará sempre um pouco a falso). É que, por mais voltas que lhe dê, se nunca se deixou levar na inxurrada, se nunca sentiu a emoção de mergulhar inesperadamente no vazio, logo aos primeiros sinais, como se não houvesse amanhã, será difícil escrever sobre o tema, convencendo (admito que, raras excepções, excepcionais talentos o consigam fazer, sem nunca o ter vivenciado). E, decididamente, JRS ou não tem esse talento ou não experienciou nunca a aurora boreal.

    Será que JRS nunca leu H. Miller, M. Dura, D. M. Ferreira, M. S. Tavares…

    Mas, ele aqui, embora com alguma relutância, abandonou a ideia, em boa hora, acho eu… porque, nos temas que domina, ele é um mestre!

    ernestobarbosa

  2. nunoanjospereira

    Sendo o discurso encomiástico a violência testamentada no“Alcorão”, para segundo plano, será aceitavelmente remetida a vertente sexual do “Tomás Noronha”. É difícil superar aquela da sopa de leite! Com um certo sorriso fico preocupado com o futuro sexual de “Tomás Noronha”. Se cada livro nos tem dado a conhecer de uma forma aprofundada e proficua a realidade social global, e em paralelo a sexualidade de um Indiana Jones não televisivo, diacronicamente questionando, como será romanceada a actividade sexual do (desta feita) “desgraçado personagem”? –Sendo que desgraçado significa fora da graça de Deus.

  3. Por acaso já os leitores fizeram uma leitura do Alcorão?

    Este senhor, o JRS, não sabe uma letra do que escreve. O único terrorismo que reina sobre a Terra actualmente é a ganância capitalista que espolia os recursos energéticos dos outros povos.

    Se existisse mesmo terrorismo, a 3.ª Guerra Mundial já teria eclodido! É óbvio que o terrorismo é uma artimanha criada para legitimar ataques a países detentores das maiores reservas de gás natural e petróleo.

    Quanto ao livro de JSR:
    Medíocre.
    Não sei como é que existe gente que lê este autor.

    O Sétimo Selo mais não é do que uma reunião de informação todinha retirada do livro “O Fim do Petróleo” de James Howard Kunstler.
    A única diferença é que o Sétimo Selo tem uma historieta por trás.

    Este Fúria Divina vai pelo mesmo caminho. A ideia não é original pois existe um vídeo feito desde 2008 com o nome “Fitna” e que também se opõe ao Alcorão.

    Antes de mais, as pessoas deviam ler o Alcorão e só depois ler uma opinião formada sobre ele. Ou então, devem ler o livro do JRS e depois confirmar o que ele diz lendo o Alcorão.

  4. nunoanjospereira

    Aprendi com o “Evangelho segundo Jesus Cristo” de José Saramago, há uns vinte anos, a separar as águas: uma coisa é o que o autor escreve, em forma de romance, se bem que não servirá de desculpa para tudo, terá sempre o escudo da ficção; outra coisa são as minhas convicções pessoais. Ainda não li “O código Da Vinci” embora já tenha visto o filme, (li Anjos e Demónios e gostei muito da “Conspiração”)e fiquei tristemente impressionado com tanta gente de pouca fé, que, de acordo com a “opinião publicada” e as conversas de café, deixaram abalar as suas mais fortes convicções. Estive no Museu do Louvre pouco tempo depois da inauguração daquela pirâmide de vidro, recordo-me da opinião pública ser contra mas apenas por motivos estéticos, e o que mais me deixou triste foi não ter visto os azulejos que “consta” que foram roubados das igrejas de Abrantes aquando das invasões francesas. Realidade, ficção lenda… Sabe o que é que eu acho? Sinceramente, felizes daqueles que têm fé.
    A literatura também é um comércio.

  5. Sobre o Fúria Divina, é sem dúvida uma boa compilação de ideias e esclarecimentos para quem faz comentários e juizos desapropriados sobre o Islão ou sobre o Alcorão. Fiquei bastante agradado com o livro, sobretudo porque acabei por perceber as grandes motivações dos fundamentalistas islamicos. Obrigado José por esta grande Obra.

  6. nunoanjospereira

    Eu convivo e trabalho diariamente com cristãos, hindus, muçulmanos testemunhas de Jeová, ateus, entre outros e, a leitura deste livro, além do prazer de ler, fez-me lembrar de palavras como direito à liberdade religiosa, à diferença. Lembrei-me de que ser tolerante quando se vê o e-mail é muito mais fácil do que na vida real. E confesso que não posso esperar, não devo esperar seer aceite pelos outros, e eu não os souber aceitar como eles são.

  7. Este livro só vem mostrar o quão mau as religiões são para o mundo. Não passa de uma maneira de subjugar povos aproveitando-se da sua fé.

    Não admira pois tantos actos nefastos e terríveis cometidos pelo homem em nome da fé ao longo da história, desde as cruzadas até ao 11 de Setembro.

    Não há uma religião que se aproveite neste mundo!
    Para mim, era acabar com as missas e com os alcorões e proibir definitivamente as reuniões em prole da sua fé comum.
    A fé é a arma mais eficaz do mundo e enquanto ela for dominada por fundamentalistas como o Vaticano ou como Meca, está tudo desgraçado.

    Viva a Liberdade de Pensamento e viva o Bem de Kant.
    Só assim pudemos continuar em paz,

  8. nunoanjospereira

    O homem sente-se insatisfeito ou incapaz, por conveniência de acreditar na verdade e nas dificuldades da vida como ela é. Se cada um recorre ao subterfúgio que quiser e entenda para ser feliz, no imediato, faz muito bem.
    A liberdade é escolher a sua conduta e a sua fé, a escravatura é obedecer cegamente aos dogmas instituídos. Se os homens aproveitam essa fraqueza alheia encapotada de fé para os dominar, apenas dão fundamento à pluralidade religiosa, que se justifica para que possamos recolher opiniões divergentes sobre o mesmo tema, a vida espiritual. A nível individual, se a fé alivia cada um de momentos de sofrimento, os faz felizes e lhes dá esperança, melhor.
    O livro permite-nos questionar isto tudo!

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