Felizmente há luar! – Luís de Sttau Monteiro

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Falta aqui uma ligeira referência ao General Gomes Freire de Andrade, personagem incontornável nesta peça, que está ali enforcado na capa do livro. Fonte:wikipédia.

“Seu pai (…) fora um óptimo colaborador do marquês de Pombal (…) sendo o filho Gomes Freire enviado para Portugal com 24 anos de idade (…) já com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo (…) Na hora das condecorações esqueceram-se dele (…) salva-se milagrosamente durante a batalha naval de Schwensk (…) Perdeu-se toda a tripulação, mas Gomes Freire conseguiu salvar-se (…) espírito indisciplinado e irrequieto de Gomes Freire; desordeiro e intrigante, “o animo altivo do coronel, avesso, como era a toda a sujeição, difundia na divisão auxiliar o fermento da indisciplina” (…) Freire de Andrade regressa a Portugal (…) Veio a ser acusado de liderar uma conspiração contra a monarquia (…) Foi detido e enforcado por crime de traição à pátria (…) Este procedimento (…) de Lord Beresford, comandante em chefe britânico do Exército português e regente de facto do reino de Portugal, levou a protestos e intensificou a tendência anti-britânica (…)

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Hoje, dia internacional do livro, não me consigo lembrar de melhor exemplar de uma das funções que um livro pode ter, do que este.

Se dúvidas houvessem acerca das habilitações literárias do Sr.Primeiro-Ministro, esclarecidas ficam com esta obra. É evidente que quando o Primeiro-Ministro pretende um 12º ano de escolaridade obrigatória, demonstra que ainda não leu o “Felizmente há Luar!” de Luís de Sttau Monteiro! Recomendada que é a sua leitura nas nossas, ainda resistentes e sobreviventes, escolas. Não me surpreenderia que a leitura desta peça de teatro passasse a ser considerada subversiva! Senão vejamos: “Denunciando a injustiça da repressão e das perseguições políticas levadas a cabo pelo Estado Novo, a peça Felizmente Há Luar!, publicada em 1961, no mesmo ano de Angústia para o Jantar, esteve proibida pela censura durante muitos anos. Só em 1978 foi pela primeira vez levada à cena, no Teatro nacional, numa encenação do próprio Sttau Monteiro.” É só estabelecer o paralelismo com a actualidade. Mas ainda há mais: “O povo, Reverência, não leu o “Eclesiastes” e pouco se preocupa com a origem do poder. Interessa-lhe mais o preço do pão… Talvez, se o ensinassem a ler, tomasse conhecimento de “Eclesisastes”…  vou deixar a cada um de vós a interpretação. Sigamos pois então: “Veja, Sr.D.Miguel, como eles transformaram esta terra de gente pobre mas feliz num antro de revoltados! Por essas aldeias fora é cada vez maior o número dos que só pensam aprender a ler… “ Eu li o livrinho em duas viagens de Expresso: ida e volta a Lisboa. “Ensina-lhes que sejam justos, para viverem num Mundo em que reina a injustiça!” Ainda vou a tempo de recomendar vivamente a todos os que por aqui navegam, que leiam este livrinho simples, antes de votarem.

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