A vida num sopro – José Rodrigues dos Santos

a-vida-num-sopro2“(…) Foi como se tivesse saído do forno a escaldar para a panela a ferver.”

Seria um crime adaptar este livro a uns míseros 90 minutos de cinema. Penso que qualquer autor gostará de ver a sua obra na grande tela mas neste caso, que contém parte da nossa história, parte da nossa gente, parte da nossa linguagem, de como falávamos  e como falamos, não cabe num só filme. Telenovela? Pior a emenda que o soneto. É um livro para cada um ler a seu ritmo e meter na cabeça a informação que lá está disfarçada de romance. Especialmente numa altura em que a televisão já não pergunta, parafraseando Batista Bastos “Onde é que estavas no 25 de Abril de ’74?” mas já vai perguntado o que foi esse tal de 25 de Abril e as pessoas vão brilhando na performance digna de qualquer episódio de apanhados. O blogue “N livros” apresenta um artigo ao mais alto nível sobre este livro, em vez de o copiar, recomendo a sua leitura, a quem já leu e a quem esteja interessado em ler. Basta clicar aqui.

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Não resisto a transcrever uma passagem que é um bom exemplo de, tal como nos outros romances de José Rodrigues dos Santos, a romancear lá se vai informando e contando umas verdades que não sendo aceite como “conhecimento” sempre é “mais uma informação que cá fica!”.

Página 375 “A Igrexa non nos causou ningún mal a nós, ou a min en particular, mais ás masas si que lles causou moito mal“, argumentou o miliciano. “A Igrexa educou as persoas a resignárense ás relaciones de poder existentes na sociedade, convencéndoas para que non se revoltasen contra a inxustiza, contra a degradación, contra a miseéria, mais antes a aceptarem todo, a aguantarem todos eses males, a conformárense coa súa situaciónm a daren a outra fazula a quem as agredia. Como é evidente, esa postura é a que convén aos capitalistas explotadores, que dese xeito ven perpetuar a súa dominación sobre as masas explotadas. Por iso é importante encarar a relixión e acabar con ela, erradicala da nosa cultura. Sen relixión, o proletariado e os campesinos libértanse do medo e revóltanse contra este sistema que os oprime sen piedade.” Estas conversas acabavam sempre em acaloradas discussões, com o português e o galego em pólos opostos e Luís no meio a tentar conciliá-las. Mas o capitão apreciava as disputas ideológicas com o miliciano, elas davam-lhe acesso a ideias que nunca tinha considerado; reconhecia até fundamento em muitas delas, pareciam-lhe fazer sentido, mas a verdade é que um pensamento tão radical não se coadunava com a sua natureza conciliadora e a educação católica que recebera. Gostava de conhecer aquela perspectiva diferente, mas sabia que nunca a partilharia.

– este é o factor menos dominante. O que predomina é o romance. Apaixonante!

O último segredo A mão do diabo O Anjo Branco Fúria Divina A Filha do Capitão O sétimo selo A fórmula de Deus O codex 632 A ilha das trevas

O Homem de Constantinopla – Um milionário em Lisboa – A chave de Salomão – As flores de Lótus

2 responses to “A vida num sopro – José Rodrigues dos Santos

  1. O marido da minha avó anda a ler este livro e eu dei uma vista de olhos, achei muito interessante.
    aconselho as pessoas a lerem😀

  2. nunoanjospereira

    Para uma menina como tu é uma leitura algo extensa. Em contrapartida para o marido da tua avó pode ser um saudosismo, reviver o passado. Uma boa síntese da obra está no blogue “N livros” para o qual tenho o link.

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