Breve história de quase tudo – Bill Bryson

Bill Bryson - Breve história de quase tudo“Tão grandes são as distâncias que, na prática, se torna impossível representar o sistema solar à escala real. Mesmo que juntássemos muitas páginas desdobráveis aos livros escolares, ou usássemos uma longuíssima folha de papel para fazer os mapas, nunca chegaríamos nem perto. Num diagrama do sistema solar à escala, com a Terra reduzida ao tamanho de uma ervilha, Júpiter estaria a mias de 300 metros de distância, e Plutão estaria a 2,5 quilómetros (e teria o tamanho de uma bactéria, de forma que não o conseguíssemos ver). Na mesma escala, a Próxima de Centauro, a estrela mais próxima de nós, estaria a 16 mil quilómetros de distância. Mesmo que encolhêssemos tudo de forma a Júpiter ficar tão pequeno como o ponto final no fim desta frase, e Plutão não fosse maior do que uma molécula, Plutão estaria ainda a mais dez metros de distância.” – página 39

Beber: uma história de amor – Caroline Knapp

beber uma historia de amor“(…) No fundo, o alcoolismo é como uma acumulação de dezenas de ligações como essa, inúmeros pequenos medos, fomes e raivas, diversas experiências e memórias que se acumulam no fundo da nossa alma, coalescendo, depois de muitas e muitas bebidas, numa única solução líquida.

Claro que o problema da autotransformação é que, ao fim de pouco tempo, já não sabemos em que versão de nós acreditar, qual é a verdadeira. (…)

(…) Ao fim de pouco tempo, já não sabemos sequer as coisas mais básicas sobre nós próprios – de que temos medo, o que nos desagrada, de que precisamos para nos sentirmos confortáveis e calmos – porque nunca demos a nós próprios a oportunidade, clara e sóbria, de o descobrir.

O álcool oferece protecção contra tudo isso, defende-nos da dor da autodescoberta, um protecção maravilhosa e reconfortante que é altamente insidiosa porque, sendo absolutamente falsa, nos parece tão real e necessária.” – páginas 75/6

Breve história de quase tudo – Bill Bryson

Bill Bryson - Breve história de quase tudo“Em primeiro lugar, para que o leitor esteja aqui agora, foi preciso que triliões de átomos errantes tenham conseguido juntar-se, numa dança intrincada e misteriosamente coordenada, de forma a criá-lo a si. Trata-se de uma combinação tão única e especializada que nunca foi feita antes, e só vai existir desta vez. Durante muitos anos futuros (esperemos), estas partículas minúsculas irão dedicar-se sem qualquer queixume aos biliões de hábeis e articulados esforços necessários para o manter intacto e deixá-lo desfrutar da experiência supremamente agradável, mas geralmente subestimada, a que chamamos existência.”

– página 15

Beber: uma história de amor – Caroline Knapp

beber uma historia de amor“Quando fiz 29 anos, Wicky morreu de repente, de um ataque muito violento. Tinha 42 anos. Alguns meses depois do funeral, a minha meia-irmã, Penny, irmã mais velha de Wicky, mandou-me uma carta contando como tinha sido crescer com ele e quebrando o silêncio a propósito do papel do álcool em tudo aquilo. «Nunca ninguém falou disso», escreveu ela, «mas é absolutamente óbvio para mim agora que ele sofria de síndrome alcoólico-fetal.»

Síndrome alcoólico-fetal? Uma vida arruinada por causa do álcool, assim sem mais? A notícia era perturbadora; um daqueles factos que parecem surgir do nada mas que fazem sentido, são como uma peça de um grande puzzle que sempre ali esteve, à espreita, mas imperceptível.” – página 57

O Lobo de Wall Street

Banksters, Uma viagem ao submundo dos banqueiros – Marc Roche

banksters marc rocheA vantagem, a grande mais valia que tenho em ler um bom livro, é que vou saindo da ignorância. Permitam-me que partilhe convosco algumas «coisas» que transcrevo do livro de Marc Roche: “O ambiente e a luta contra as mudanças climáticas em primeiro lugar. Se há mercado invisível e incompreensível, é o dos gases com efeito de estufa. Não o procurem na Bolsa, o sistema é totalmente eletrónico. Não existe cotação como tal, mas um preço indicativo para a tonelada de gás carbónico. Instalado desde 2005, este mercado permite às grandes sociedades a compra ou venda de quotas de emissão cujo volume é fixado por uma instância europeia. (…) O mercado permite que ma companhia em infração compre a uma outra, menos poluente, os seus direitos de emissão” – pág. 194

“Saque” é a palavra que designa – não «designava» no pretérito imperfeito porque é uma realidade – roubar com autorização do rei. Agora não há um rei, mas sim vários. Sem esquecer a respetiva nobreza. “E quem diz off-shore diz evasão fiscal, pudicamente batizada «otimização fiscal». Os grandes gabinetes ajudam então tanto as empresas como os ricos particulares a escapar às taxas, aconselhando os seus clientes em toda a legalidade sobre os melhores meios para pagar o menos possível de impostos. (…) De facto, em numerosos países como no Reino Unido, as Big Four encaixam sumarentos honorários trabalhando ao lado do fisco para reformar o código dos impostos, e «revendo» depois pela maior oferta as informações assim respigadas aos seus clientes.” – págs. 154/5

Às vezes é conveniente mascarar a realidade de ficção. Se não, ninguém acredita! “Imaginemos um homem de negócios russo que deseja fazer sair urgentemente, mas com toda a discrição, capitais ilícitos da Rússia para escapar às vicissitudes politicas e económicas provocadas pela situação na Ucrânia. (…) Com a ajuda de um advogado ou de um gabinete de contabilidade cúmplices, um dos seus banqueiros moscovitas monta-lhe uma ou várias sociedade inscritas numa zona off-shore britânica para transferir para aí os fundos em questão por transferência eletrónica. (…) Em Londres, os fundos são reciclados nas atividades comerciais ordinárias para serem investidos por exemplo no imobiliário, nas obras de arte, no comércio de retalho ou no import-export. (…) O estatuto privilegiado feito à medida, magicado pelo fisco britânico para atrair as grandes fortunas estrangeiras, facilita o passeio dos fundos. O passe de mágica está feito.” – pág. 173

Segunda maior economia do mundo. O meu vizinho da loja do chinês, criou cá a filha, que já é dona de uma empresa com meia dúzia de centenas de empregados. Caso venham a ler estas minhas singelas palavritas, aproveito já para vos dar, e deixar por escrito, os meus sinceros parabéns pelo vosso sucesso. “Na China, a amplitude da esfera financeira não regulada é surpreendente. É um monstro perigoso. Porque no império do Meio, o contornar maciço das regras pelo «extrabalanço» e pelos paraísos fiscais, a corrupção endémica, a ausência de governo de empresa digno desse nome, de procedimentos de controlo de riscos adequados, bem como o subdesenvolvimento do quadro jurídico, acabaram por representar uma bolha financeira que escapa a qualquer controlo.” – pág. 174

Uma coisa, é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Neste caso concreto a fortuna do gajo nomeado por Allah, que gere a sociedade de forma medieval e o dinheiro do Estado (vulgo do Povo) é a mesma coisa. “A dificuldade de auditar as contas devido a normas diferentes nunca foi mencionada, Quanto à ausência de separação entre os bens das famílias reais e os do Estado em numeroso países adeptos da finança islâmica, obviamente, também nunca foi evocada.” – págs. 176/7

Abrimos uma loja de roupa. Faliu. Estamos a pagar o estrago. Devíamos ter aberto uma loja de dinheiro. “A priori, embora os respetivos balanços sejam dificilmente comparáveis, a península italiana corre mais riscos do que a banca francesa ou alemã. Mas o mais vulnerável não é aquele que se julga. O BNP Paribas, oficialmente, só tem 10% de fundos próprios para proteger o seu balanço. Em contrapartida, a Itália conta com vinte milhões de contribuintes para se proteger.” – pág. 184

Balibo