Banksters, Uma viagem ao submundo dos banqueiros – Marc Roche

banksters marc roche“Na China, a amplitude da esfera financeira não regulada é surpreendente. É um monstro perigoso. Porque no império do Meio, o contornar maciço das regras pelo «extrabalanço» e pelos paraísos fiscais, a corrupção endémica, a ausência de governo de empresa digno desse nome, de procedimentos de controlo de riscos adequados, bem como o subdesenvolvimento do quadro jurídico, acabaram por representar uma bolha financeira que escapa a qualquer controlo.”

in “Banksters” – pág. 174

Banksters, Uma viagem ao submundo dos banqueiros – Marc Roche

banksters marc roche“Imaginemos um homem de negócios russo que deseja fazer sair urgentemente, mas com toda a discrição, capitais ilícitos da Rússia para escapar às vicissitudes politicas e económicas provocadas pela situação na Ucrânia. Transportar o dinheiro líquido é demasiado perigoso nos tempos que correm. Com a ajuda de um advogado ou de um gabinete de contabilidade cúmplices, um dos seus banqueiros moscovitas monta-lhe uma ou várias sociedade inscritas numa zona off-shore britânica para transferir para aí os fundos em questão por transferência eletrónica. Pode tratar-se de um país ao gosto das grandes fortunas da ex-URSS (Chipre), ou de uma praça exótica pouco escrupulosa (as ilhas Virgens britânicas, Turks-e-Caïcos, ou Granada). Para fazer entrar o dinheiro no sistema financeiro, o pecúlio transita para as contas de homens fictícios ou de sociedades biombo neste pequeno paraíso, acabando numa  sucursal de um banco com assento na City. Em Londres, os fundos são reciclados nas atividades comerciais ordinárias para serem investidos por exemplo no imobiliário, nas obras de arte, no comércio de retalho ou no import-export. O estatuto privilegiado feito à medida, magicado pelo fisco britânico para atrair as grandes fortunas estrangeiras, facilita o passeio dos fundos. O passe de mágica está feito.”

in “Banksters” – pág. 173

Banksters, Uma viagem ao submundo dos banqueiros – Marc Roche

banksters marc roche“Esta habilidade ajuda o lobby da contabilidade a torpedear grande número de regulamentações prejudiciais aos seus interesses. Assim, na sequência das pressões, a nova lei americana de regulação financeira Dodd-Frank não abrange os gabinetes de auditoria. Na Europa, o bando dos quatro não teve o seu equivalente para atenuar o projeto de diretiva da Comissão Europeia que prevê a rotação obrigatória das atividades de consultoria. O setor soube tirar proveito cientemente do apoio do governo de Londres para fazer capotar as iniciativas mais draconianas de Bruxelas. Porque mesmo que tenha sido formalizada nos Estados Unidos a auditoria surgiu no Reino Unido para controlar as contas do comércio com o Império. É uma das últimas joias da Coroa e o governo de Sua Majestade pretende preservá-la.

(…)

E quem diz off-shore diz evasão fiscal, pudicamente batizada «otimização fiscal». Os grandes gabinetes ajudam então tanto as empresas como os ricos particulares a escapar às taxas, aconselhando os seus clientes em toda a legalidade sobre os melhores meios para pagar o menos possível de impostos. Possuem um conhecimento preciso das leis fiscais das zonas de operação cujas falhas podem identificar. O conflito de interesses está patente. De facto, em numerosos países como no Reino Unido, as Big Four encaixam sumarentos honorários trabalhando ao lado do fisco para reformar o código dos impostos, e «revendo» depois pela maior oferta as informações assim respigadas aos seus clientes.”

in “Banksters” – pag. 154/5

Balibo

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