Sinal de vida – José Rodrigues dos Santos

«”Sim, onde estão? O universo é enorme e muito antigo. Mais de treze mil milhões de anos. Ora aqui na Terra a vida precisou de uns três a quatro mil milhões de anos para desenvolver uma inteligência tecnológica. Uns dez mil anos bastaram para os seres humanos chegarem à Lua. A tecnologia está sempre a avançar e o progresso tem uma taxa de crescimento exponencial. Há um século as pessoas ainda usavam o telégrafo, a principal fonte de energia era a lenha e o carvão, e viajava-se a cavalo ou em coches. Agora estamos em rede pela Internet, temos telemóveis com GPS, há cidades com milhões de pessoas iluminadas por energia nuclear e vamos para toda a parte de automóvel ou de avião. Se isto tudo aconteceu num único século, Leo, diga-me como será daqui a um milénio ou um milhão de anos.”» – página 15.

Este parágrafo pode ser um bom exemplo do que podemos esperar da leitura: uma apresentação de um tema, de uma ideia, opinião, de – e cito a página 7 – “Aviso – A informação científica apresentada neste romance é verídica” e um romance à mistura. Como de costume os personagens vão explicando os factos científicos uns aos outros. O exemplo do último parágrafo da página 476, retirado do contexto, para mim é… chinês!

«”A descoberta de metabolização no solo de Marte pela terceira experiência das Viking em 1976, a descoberta nesse planeta de depósitos de sílica e de emissões sazonais de metano e a descoberta dos microfósseis em meteoritos marcianos, associadas à descoberta de extremófilos na Terra e de exoplanetas em torno de muitas estrelas, assim o indicam”, confirmou a húngara.»

Mas a mais valia deste romance é explicar-me este parágrafo, para que eu fique informado/contextualizado. Assim sendo consigo perceber a informação cientifica e disfrutar do prazer da leitura informativa.

Agora um toquezinho na parte gráfica: podia ter duas linhas a mais por página, uma superior, outra inferior e ainda… ir buscar uns 5 ou 6 milímetros à margem exterior; mudar de capítulo a cada duas ou três páginas com tanto espaço em branco, sem mudar de assunto, serve apenas para acrescentar volume e peso!

Uma… “private joke” para partilhar com quem já leu esta aventura:

A ilha das trevas – A filha do capitão – O Codex – A fórmula de Deus – O sétimo selo – A vida num sopro – Fúria Divina – O anjo branco – O último segredo – A mão do Diabo – O Homem de Constantinopla – Um milionário em Lisboa – A chave de salomão – As Flores de Lótus – O Pavilhão Púrpura – Vaticanum

 

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A Missão

E agora… com um Papa que foi jesuíta, o Papa Francisco (da América Latina); Jeremy Irons novinho e à vontade nestas andanças das artes religiosas, depois representou o papa Bórgia; Robert de Niro arrependido das maldades! mas, tal como José Rodrigues dos Santos diz que o Tomás Noronha vai casar, isso… é o que menos importa neste momento de elevada qualidade cultural, quando a “nossa” realidade “nos” toca de um ponto de vista diacrónico.

Ainda hoje, passados 280 anos, ficamos a saber, pelo Facebook, que aos índios Guarani, não lhes é concedido o direito daquilo que é deles: a vida. Tal como diz claramente Ennio Morricone pelo “Oboé do Gabriel”, Na imaginação: “Nella fantasia io vedo un mondo giusto”.

Aqui também batem corações – União Zoófila

“(…) Aqui se vão contar histórias de vida, morte, recuperação, adopção e espera de animais de estimação deitados fora. (…)” – apresentação

“Estas não são histórias de desgraça ou destinadas a inspirar pena. Estas são histórias de resistência e dignidade. São histórias de cães e gatos que, sujeitos a tortura, maus tratos ou negligência, souberam, aproveitando o pouco que lhes foi dado, manter a vontade de viver e a alegria.

Só lamentará estes animais quem ainda não lhes prestou atenção. (…)” – página 7

“Os animais não sabem dizer onde lhes dói mas isso não significa que não lhes doa. Os animais não sabem apontar quem os magoou, quem lhes provocou fracturas com pancada, quem os privou de água e comida, quem os queimou, esfaqueou, acorrentou, usou em lutas mas isso não significa que não tenham sido magoados. Trazem as marcas da violência no corpo e na alma.” – página 31

“Não era a pele, que parecia descolada da carne. Nem as falhas no pêlo. Nem as chagas em volta dos olhos. Nem as feridas abertas nas patas. O que impressionava na Safira quando chegou era aquela vontade de esconder-se, de procurar um canto onde encolher-se e passar despercebida. Tinha-se talvez convencido da própria inexistência. De que já não estava viva.” – página 39

“(…) Quem entra no coração de um gato nunca de lá sai. (…) Primeiro o Dinho deixou de lavar-se e é bem conhecida a importância que os da espécie dele dão à higiene pessoal. (…)” – página 74

“Uma pessoa habitua-se. Habitua-se a que perguntem pelos labradores bebés e queiram saber onde estão os pastores alemães puros de três meses, como se eles existissem em abrigos de animais abandonados, animais sem valor de mercado, apenas com o valor mais imporante – o da vida senciente. Habitua-se a não responder a quem comenta “Só têm cães velhos”, como se um cão de dois anos não tivesse à sua frente mais 18. Habitua-se a suportar a guinada de repulsa diante da vontade expressa sem qualquer pudor de ver “Aquele ali num formato mais pequeno e noutra cor”. Uma pessoa habitua-se. – página 79

“O voluntariado na União Zoófila é um assunto muito sério. É coisa de responsabilidade. Os cães e os gatos ligam-se a quem trata deles. Despertar esta ligação em animais já muito penalizados para depois abandoná-los não cabe na definição de voluntário da União Zoófila.” – página 115

“(…) Ela ficou a saber quem ele era naquela altura. Era um amigo.” – página não-sei-das-quantas, a minha sugestão é para que leiam, leiam e descubram qual a página.

Uma conspiração de estúpidos – John Kennedy Toole

Imaginem o filme “The police academy”, logo o primeiro. Já está? Certo. Agora, logo nas primeiras imagens aparece o Homer Simpson, muito aparvalhado, sem perceber nem muito bem, nem muito mal, o que está ali a fazer. 

Mais apatetados ainda estão os policias a tentar digerir o que raio está ali a fazer um desenho animado no meio de um filme! Ainda sem tempo de digerir esta confusão toda, eis que surge o resto dos personagens todos, mas todos, dos Simpsons. 

Ok. Imaginando tudo isto na década de sessenta, em New Orleans e eis que se instala o caos a cada parágrafo, não é a cada capítulo. Desde um vendedor de cachorros quentes, que come até dar prejuízo, a um polícia de serviço dentro de uma casa de banho pública, strip tease com araras, uma velha que não sabe que já se reformou, manifs sexuais e fábricas de calças… temos em “Uma conspiração de estúpidos” do falecido, que não chegou a ver a publicação do seu livro, John Kennedy Toole, um trabalho que “(…) Hoje está considerado como parte do cânon de literatura cómica universal.”.

Ah! Já quase que me esquecia: de vez em quando passa assim a correr, como quem não quer a coisa… o Forrest Gump.

A demanda do cavaleiro Morgennes – David Camus

Vasculhei as páginas à procura de um mapa para melhor situar a narrativa eis senão quando… me deparo com… “Musicografia”, que fixe!

Página 521: “Escrevi este livro enquanto ouvia Kundun, de Philip Glass, e Conan o Bárbaro, de Basil Poledouris.

Aos leitores com curiosidade por descobrir a música dessa época e desses lugares, recomendo as seguintes obras:

Le Jeu de Robin et de Marion (Adam de la Halle, Ensemble Perceval, dirigido por Guy Robert, Arion)

– Paris Expers Paris (Antoine Guerber, Diabolus in Musica, Alpha Productions)

– Egypt – Music of the Nile, from the desert to the sea (coletivo, Virgin)”

No Paris Expers Paris e em Egypt não consegui descobrir um link para video, deixo aqui duas ligações semelhantes: Música do NiloDeus misertus – École de notre dame.

Uma vista de olhos musical permite apresentar, por pouco comum que seja, um quadro, um contexto cutural, do que podemos ler neste romance. Deixo-vos aqui a sinopse: “«Tudo começou, não naquela famosa noite, quando os teus pais foram atacados por cavaleiros – por cruzados -, mas uns dez anos antes. Ou mesmo um pouco antes disso, se considerarmos que a vida começa antes do nascimento, o que no teu caso é, de facto, verdade.» Assim começa a narrativa da viagem fabulosa que conduzirá o jovem Morgennes pelo mundo inteiro para vingar a morte dos pais. Das florestas do Norte de França aos desertos áridos do Egipto, passando por Constantinopla e pelas terras queimadas da Etiópia, Morgennes não deixará de obedecer às últimas palavras do pai: «Vai até à cruz!» A sua busca levá-lo-á a entrar ao serviço do rei de Jerusalém e a cruzar-se com numerosas personagens, entre as quais São Jorge, o matador de dragões, e a misteriosa mulher que não existia… Tudo isso com a cumplicidade afetuosa do seu amigo Chrétien de Troyes, testemunha e narrador deste destino fora do vulgar. Percorrido pela inspiração dos contos e das lendas do rei Artur, David Camus conduz-nos a um século XII maravilhoso, a meio caminho entre a epopeia fantástica e o romance de aventuras.”

 

A demanda do cavaleiro Morgennes – David Camus

“- Digo, sim. Porque compreendi que é preciso sermos dois para vermos Deus! Quando estava sozinha, quem podia eu ver, senão o meu próprio reflexo? Mas quando desceste até ao fundo do poço, compreendi.” – página 405

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RASCUNHOS