“Para garantir que oferecem raparigas realmente virgens, os bordéis actualmente vendem crianças pequenas. Na maioria das vezes, são meninas mesmo muito novinhas, de cinco o seis anos. Quando a semana termina, cosem a menina por dentro, sem anestesia, e rapidamente voltam a vendê-la. É suposto uma virgem gritar e sangrar, e assim a rapariga grita e sangra uma e outra vez. Fazem-no, talvez, três ou quatro vezes.” Página 58
Um livro de leitura obrigatória. Não leiam num lugar público pois não se sabe quando é que é possível conter as lágrimas, por vezes não é.
“Quando olho para trás, penso que aquele era o melhor sistema para o Camboja. A escola era de graça e concedida às crianças uma alternativa à pobreza. Não era como agora, em que os pais têm de pagar grandes quantias para a educação dos filhos, e até os diplomas se vendem. Naquela altura os hospitais eram poucos e estavam muito mal equipados, mas eram praticamente grátis. Hoje em dia, se não pudermos pagar, ainda que estejamos a morrer, não cuidam de nós.” – página 33
“(…) Deixavam carne em volta dos osso e nem sequer a chupavam. E depois deitavam tudo fora, alegremente, incluindo a espessa pele do peixe. Teria sido possível alimentar famílias inteiras no Camboja só com aquelas sobras. (…)” – página 91-92
“(…) Isso foi no início do ano de 2006 (…) Outra menina de seis anos que resgatámos recentemente chama-se Moteta. Encontrámo-la quase morta de pancada, trancada numa jaula de um bordel em Tuol Kok (…) tinha sido vendida ao bordel pela mãe (…)” – página 135/6
“Somaly era ainda uma menina quando foi vendida como escrava sexual. A sua extraordinária coragem permitiu-lhe libertar-se. A sua fé num mundo melhor fê-la desafiar todas as convenções e levar a outras vítimas a esperança e a liberdade com que nunca haviam sonhado.
Abandonada pelos pais quando era bebé, Somaly Mam ficou entregue aos cuidados da avó materna. Quando a avó desapareceu, um homem que se dizia seu “avô” recolheu-a. Mas o que a esperava não era um ambiente familiar e sim uma vida de violência e escravatura. Violada aos doze anos, Somaly foi forçada a casar aos quinze e depois vendida a um bordel, onde começou aquilo que ela própria apelidou de “Inferno”.
No Camboja, a vida de uma mulher não tem qualquer valor. Diariamente, são muitas as meninas apanhadas nas redes de tráfico sexual – algumas com apenas cinco anos de idade. Mas, ao escrever Inocência Perdida, Somaly vai mais além da realidade violenta do seu país e da sua infância destroçada, e conta-nos uma história de vida inspiradora e corajosa.” – Contracapa.
“Em 1997, Somaly Mam fundou a organização humanitária AFESIP, que resgata mulheres e crianças dos bordéis do Camboja, da Tailândia,do Laos e do Vietname. Em 2007, criou nos Estados Unidos a Fundação Somaly Mam, cujo objectivo é alertar a opinião pública para este flagelo. A sua actividade humanitária valeu-lhe a atribuição de inúmeros prémios e distinções, entre eles, o Prémio Príncipe de Astúrias para a Cooperação Internacional, que já distinguiu personalidades como Nelson Mandela e AlGore, e o título de “Mulher do Ano” pela revista Glamour, em 2006.”
Glamour: “Somaly Mam está na linha da frente de uma das mais importantes batalhas sociais da Ásia e do mundo.”

